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Porto Alegre, quinta-feira, 18 de Julho de 2019

  • 06/02/2015
  • 20:27
  • Atualização: 21:26

Caderno de Sábado destaca a décima Bienal do Mercosul

Em entrevista, o curador Gaudêncio Fidelis destaca o caráter político do evento

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A 10ª Bienal do Mercosul ganha as páginas do Caderno de Sábado deste final de semana, e não é à toa. O evento comemora este ano o número redondo de dez edições na Capital, se reinventando a cada mostra. Característica inovadora essa que agora em 2015 não perderá sua força. A próxima edição chegará com novidades, como a retomada da vocação inicial de ser uma mostra contemporânea com prioridade às obras da América Latina.

O Caderno de Sábado entrevistou o curador desta Bienal, o artista Gaudêncio Fidelis, que aproveitou para antecipar a dimensão política inédita que será incorporada à feira, representando um momento de repensar o seu papel e suas posições em relação ao circuito internacional. “As nove edições anteriores contribuíram para chamar a atenção para a produção artística da América Latina e, é claro, para a democratização do acesso à arte, mas é chegada a hora de darmos mais um salto qualitativo”, considera.

O evento será realizado entre os meses de setembro e novembro em locais do Centro Histórico de Porto Alegre com o tema “Mensagens de uma nova América”. Para reiterar a sua significância e evidenciar as mudanças pelas quais passou nesses 18 anos de existência, preparamos uma retrospectiva com detalhes das nove edições realizadas até agora. Confira:

1ª Bienal do Mercosul (1997)

A edição abrangeu cerca de 800 obras em três vertentes: “Construtiva – A arte e suas estruturas”, “Política – A arte e seu contexto” e “Cartográfica – Território e história”. A mostra, que ficava restrita aos países do Mercosul, teve a Venezuela como país convidado e seu projeto curatorial foi baseado em apresentá-la como a maior mostra de arte latino-americana realizada no Brasil.

2ª Bienal do Mercosul (1999)

A edição não teve um tema definido, mas reuniu obras ao redor da problematização de diversas questões, como a integração do Mercosul e a necessidade de harmonizar as diferenças. Tendo ainda o desafio de viabilizar o evento em um contexto financeiro desfavorável, a 2ª Bienal teve trabalhos de caráter experimental e norteados por conceitos de identidade e diversidade cultural. O país convidado foi a Colômbia.

3ª Bienal do Mercosul (2001)

Com o slogan “Arte por toda parte”, a edição não teve um projeto temático definido e ficou conhecida pela criação da cidade dos contêineres – área montada no Parque da Harmonia que abrigou instalações de 51 artistas plásticos. O Peru foi o país convidado da 3ª Bienal, que passou a aderir à entrada gratuita e o caráter itinerante, levando artistas, obras e exposições para outros estados.

4ª Bienal do Mercosul (2003)

Essa foi a edição que firmou o evento como o maior no setor de arte visuais latino-americano e consolidou Porto Alegre como um centro internacional de difusão e de encontros culturais e cívicos. Tendo o México como país convidado, a 4ª Bienal também ficou caracterizada por ter o maior número de artistas de fora da América Latina, já que abrigou uma exposição transnacional com países como Alemanha, Cuba e Estados Unidos, por exemplo. Além disso, bateu recorde de público, com mais de um milhão de visitas nos espaços expositivos que seguiam a temática da estruturação das relações de parentesco entre o arqueológico e o contemporâneo.

5ª Bienal do Mercosul (2005)

A edição teve um grande número de obras inéditas e por isso ficou marcada pela originalidade e pelo ineditismo. O tema central foi “Histórias da Arte e do Espaço”, tratando da multiplicidade das experiências contemporâneas do espaço, tanto o subjetivo quanto o urbano. Sem país homenageado, o México foi incorporado permanentemente ao evento. A 5ª Bienal também bateu recorde de área ocupada com a exposição.

6ª Bienal do Mercosul (2007)

A edição marca o início de uma nova etapa na história das Bienais a partir da adoção de um modelo curatorial que intensificou o caráter internacional da mostra. Assim, o evento reuniu 350 obras de 67 artistas oriundos de 23 países. Com um total de seis exposições, a 6ª Bienal também ficou conhecida por dar origem ao Relatório de Responsabilidade Social, que visa prestar contas à comunidade e promover a transparência às ações da gestão.

7ª Bienal do Mercosul (2009)

“Grito e Escuta” foi o tema da edição que propôs uma série de metodologias e ações que demonstraram a diversidade de abordagens e funções que a arte contemporânea apresenta. Ao todo, foram sete exposições que contaram com a participação de 338 artistas de 29 países, como Alemanha, Bélgica e Suíça. Uma das marcas da 7ª Bienal foi ter cerca de 60% das obras produzidas especialmente para o evento.

8ª Bienal do Mercosul (2011)

Intitulada “Ensaios da Geopoética”, a edição abordou a territorialidade e sua redefinição crítica a partir de uma perspectiva artística. Mais de 30 países participaram do evento e as obras discutiam noções como a de país, nação e território sob os aspectos geográficos, políticos e culturais. Alguns artistas também levaram seus trabalhos a mais de 20 cidades do estado, mantendo o caráter itinerante do evento.

9ª Bienal do Mercosul (2013)

Sob o título “Se o tempo for favorável”, a edição convidou o público a refletir sobre os aspectos que fazem ideias e trabalhos artísticos ganharem e perderem visibilidade em dado momento. O evento ficou marcado por sedimentar a internacionalização da Bienal, reunindo obras de grandes nomes da arte contemporânea, como Robert Rauschenberg e Hans Haacke. Dentre os artistas brasileiros selecionados, alguns não participaram da exposição diretamente. O papel deles foi fazer registros dos Encontros na Ilha do Presídio, no rio Guaíba, uma programação especial do evento.