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  • 29/09/2017
  • 10:40
  • Atualização: 11:06

Santander Cultural decide não reabrir a “Queermuseu” em Porto Alegre

MPF havia recomendado a “reabertura imediata” da exposição na última quinta-feira

MPF havia recomendado a “reabertura imediata” da exposição na última quinta-feira | Foto: Divulgação / Facebook / CP

MPF havia recomendado a “reabertura imediata” da exposição na última quinta-feira | Foto: Divulgação / Facebook / CP

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  • Correio do Povo

A exposição “Queermuseu – Cartografias da diferença da arte brasileira” não será mais acessível ao público que cultua a arte em Porto Alegre. O fechamento da mostra no dia 12 de setembro, após protesto de um grupo de cidadãos contrários a exibição, motivou o Ministério Público Federal (MPF) a recomendar, na última quinta-feira, a reabertura. Porém, o Santander Cultural descartou tal possibilidade em uma nota curta.

"A mostra Cartografias da Diferenças da Arte teve sua exibição finalizada no Centro Cultural de Porto Alegre, de cunho privado, no dia 10.9.17 e não será reaberta conforme comunicado do mesmo dia", disse o texto.

Na recomendação do MPF, o procurador regional dos Direitos do Cidadão, Fabiano de Moraes, afirmou que o "precedente do fechamento de uma exposição artística causa um efeito deletério a toda liberdade de expressão artística, trazendo a memória situações perigosas da história da humanidade como os episódios envolvendo a “Arte Degenerada” (Entartete Kunst), com a destruição de obras na Alemanha durante o período de governo nazista".

Segundo o texto do MPF, "as obras que trouxeram maior revolta não tem apologia ou incentivo à pedofilia, conforme foi divulgada pelos promotores de Justiça do Ministério Público do Rio Grande do Sul com atribuição na garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes que estiveram visitando as obras".

Mostra foi fechada após críticas

A Queermuseu havia sido aberta ao público em 15 de agosto e teve como proposta explorar a diversidade de expressão de gênero e a diferença na arte e na cultura em períodos diversos da produção artística. A exposição, que adotou um modelo não cronológico de disposição, propunha desfazer hierarquias e mostrar que a diversidade surge refletida no modelo artístico, observada sob aspectos da variedade e da diferença.

A exposição reunia mais de 270 obras de 85 artistas, oriundas de coleções públicas e privadas, que percorrem o período histórico de meados do século 20 até os dias de hoje.

A mostra foi encerrada 28 dias antes do previsto após manifestações contrárias na página do Facebook. Diante das críticas, o Santander emitiu uma nota oficial em que esclarecia os objetivos da mostra, além de repudiar a pedofilia e o preconceito.