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  • 12/04/2018
  • 07:53
  • Atualização: 12:58

"Baseado em Fatos Reais" caminha pelos clichês e entrega um thriller psicológico funcional

Novo filme de Roman Polanski estreia nesta quinta-feira

Emnanuele Seigner e Eva Green protagonizam Baseado em Fatos Reais | Foto: Divulgação / CP

Emnanuele Seigner e Eva Green protagonizam Baseado em Fatos Reais | Foto: Divulgação / CP

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  • Lou Cardoso

Roman Polanski é conhecido por filmes dominados pelo suspense, que brincam com os sentidos do público. "Baseado Em Fatos Reais" é uma simples tentativa de trazer novamente uma situação cotidiana que flerta com a fantasia e o real que há nas mentes inquietas, como é o caso da sua protagonista Delphine (Emmanuele Seigner). No longa, a personagem é uma escritora de sucesso que recentemente lançou um livro autobiográfico que relembra a sua relação conturbada com a mãe e que, coincidentemente, muitos dos seus fãs se identificam com tal história. Em uma sessão de autógrafos, a autora conhece Elle (Eva Green), uma jovem ghost writer que se declara uma fã assídua e dedicada. Tanto que não demora muito para que as duas iniciem uma amizade e uma parceria profissional onde muitos sentimentos serão confrontados. 

O longa, que chega aos cinemas nesta quinta-feira, nos traz esta história difícil de ser definida, mas facilmente é desmascarada. Mas não vou mentir que o filme, pelo menos, não deixa a desejar. "Baseados em Fatos Reais" percorre em clichês como a presença de uma jovem femme fatale que é obcecada pela sua ídolo e que a todo custo quer a mesma devoção em troca. Além disso, há ainda a crise criativa de um escritor após ter tido sucesso com uma obra e claro, a famosa viagem para se afastar de qualquer distração urbana para focar no trabalho que requer uma inspiração divina. São elementos que funcionam em qualquer narrativa que propõe um suspense psicológico, mas o diretor soube costurar estas características de forma simples e objetiva.

Contudo, o que desagrada no desenrolar do filme é simplesmente a rápida introdução de Elle na vida de Delphine que parece ser muito questionável à primeira vista. Porém, com a aparência da jovem e sua "trova" em cima da escritora, que parece carente e necessitada de orientação, não é difícil entender a razão de Elle ter esta força em cima da protagonista. É interessante assistir esta obcecada relação entre Elle e Delphine.

Emmanuele Seigner inicia o filme com uma imagem desgastada que traduz para o público como aquele livro que acabou de escrever a esgotou física e emocionalmente. Porém, é difícil de se conectar com Delphine por causa da sua resistência em nos deixar entrar na sua vida e causa uma imagem de arrogância. Mas aí, foi só Eva Green chegar pedindo um autógrafo que tanto Delphine quanto o público ficam desconcertados com a presença da atriz. Esta mudança de humores mostra a proposta do filme quando há a presença e a ausência de cada personagem.

Se com Delphine ficamos, de certa forma pacíficos, com Elle, o ambiente é contagiado por muita ansiedade e mistério. Eva Green exagera em algumas feições nos momentos mais tensos, mas ao mesmo tempo, ela consegue enganar facilmente quando é sutil. É um incrível trabalho que presenciamos com estas duas atrizes. O diretor Roman Polanski soube os caminhos que teve que seguir para entregar um filme funcional que sabe brincar com a mente com as diversas situações que narra. "Baseado Em Fatos Reais" não surpreende, mas também não fica devendo em nada.