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  • 02/03/2017
  • 17:42
  • Atualização: 17:54

Fotojornalista israelense David Rubinger morre aos 92 anos

Sua foto de três paraquedistas no Muro das Lamentações após a tomada de Jerusalém leste ficou marcada na história

Ele fotografou mais de dez guerras e saiu ileso de todas | Foto: Shmuel Browns / Reprodução / CP

Ele fotografou mais de dez guerras e saiu ileso de todas | Foto: Shmuel Browns / Reprodução / CP

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  • AFP e Correio do Povo

O fotojornalista israelense David Rubinger morreu na quarta-feira em Jerusalém aos 92 anos, anunciou a Associação de Imprensa Estrangeira (FPA) nesta quinta-feira (02). Sua foto de três paraquedistas israelenses olhando o Muro das Lamentações após a tomada de Jerusalém leste por Israel durante a Guerra dos Seis Dias ficou registrada como uma das imagens emblemáticas do conflito. "David Rubinger morreu em paz hoje em Jerusalém", informou a instituição.

Nascido em junho de 1924 em Viena, fugiu do nazismo e se instalou na Palestina em 1939, naquele momento sob o poder britânico. Durante a Segunda Guerra Mundial serviu a brigada judaica do exército britânico. Em um livro publicado em 2007, Rubinger afirma que começou a trabalhar como fotojornalista após prestar serviço militar, e que mais tarde foi contratado pela revista Time Life. Durante 50 anos cobriu as guerras e a política israelense, registrando em imagens a história social e cultural do Estado hebreu, criado em 1948.

"Com freqüência nestes dias, ao olhar para trás ao longo dos anos, eu me pergunto como eu poderia ter tido tanta sorte", escreveu Rubinger em sua biografia de 2007, "Israel através de minha lente: sessenta anos como fotojornalista". "Passei por dez guerras ileso e sobrevivei a inúmeras outras situações de alto risco, e cheguei ao auge da profissão fotográfica, com reconhecimento mundial pelo meu trabalho, sendo a pessoa mais velha no cabeçalho da 'Time', uma das mais prestigiadas revistas do mundo", disse ele.

Fotografou as sucessivas ondas migratórias de judeus provenientes da Europa, países árabes, Rússia e Etiópia. "Rubinger tirou mais de meio milhão de fotografias", escreveu nesta quinta-feira o jornal Haaretz. Fotos essas que, de acordo com o periódico, "documentam momentos cruciais da história de Israel e ajudam a definir sua consciência coletiva". David Rubinger recebeu o Prêmio Israel em 1997, em reconhecimento ao seu trabalho. Foi um homem afável, sociável, com um dom para contar histórias, além de ser muito popular entre seus colegas.

O presidente israelense Reuven Rivlin mostrou chateação com a notícia da morte, mas elogiou Rubinger, dizendo que "há aqueles que escrevem as páginas da história e há aqueles que as criaram com suas lentes". "David imortalizou a história em suas fotografias que permanecerão para sempre em nossa memória. Vou continuar a levá-lo na minha, armado com sua velha e fiel câmera".

A foto que conquistou o mundo:

Em uma entrevista sobre a icônica imagem dos três paraquedistas israelenses em frente ao Muro das Lamentações, Rubinger disse que um dia antes das tropas nacionais terem entrado na Cidade Velha de Jerusalém, em 7 de junho de 1967, ele estava no Sinai, fotografando soldados israelenses: "Naquela noite ouvi algumas conversas nas rádios de comando sobre algo que aconteceu em Jerusalém. Eu não hesitei e entrei num helicóptero que estava evacuando soldados feridos. "

Nas próprias palavras do fotógrafo, "quando cheguei a Jerusalém, ouviu disparos, por isso corri para o Muro Ocidental, talvez 20 minutos depois de ter sido tomada. Deitei-me no chão e estes três soldados passaram. Não pensei muito na foto na hora". Mais tarde, o rabino-chefe das Forças de Defesa de Israel, Shlomo Goren, chegou à cena: "Eu pensei que seria a grande foto".

Mas quando chegou em casa e revelou as imagens, disse à esposa: "Rabino Goren, essa é uma ótima foto, histórica", mas a mulher apontou para a imagem dos soldados e respondeu: "esta é uma fotografia agradável". "E eu disse a ela: 'Que tolice'". Apesar de ser seu retrato mais famosos, não pensava que era uma fotografia muito boa. "Parte do rosto está cortado do lado, no meio o nariz se projeta, e à esquerda há apenas metade de um rosto... fotograficamente falando, esta não é uma boa foto", disse ao jornal Haaretz.