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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

  • 28/10/2017
  • 09:54
  • Atualização: 10:10

63ª Feira do Livro aborda liberdade de ler e debater

Evento terá 109 bancas, 850 atividades, 746 sessões de autógrafos e discussões em sintonia com a atualidade

Evento terá 109 bancas, 850 atividades, 746 sessões de autógrafos e discussões em sintonia com a atualidade | Foto: Samuel Maciel / CP Memória

Evento terá 109 bancas, 850 atividades, 746 sessões de autógrafos e discussões em sintonia com a atualidade | Foto: Samuel Maciel / CP Memória

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  • Correio do Povo

Tanto foi pedido que a Feira do Livro, a exemplo da Flip, em Paraty, entrasse em maior sintonia com os temas da atualidade que a 63ª edição do evento da Capital, de 1º a 19 de novembro, deverá ter a maior diversidade de discussões e temas desde a sua 1ª edição, em 1955. Apesar de ter perdido o espaço da rua Sepúlveda entre a Siqueira Campos e a Mauá, a Feira terá 109 bancas em 7 mil m2, 850 atividades, quase 200 autores participando de eventos, 746 sessões de autógrafos e 1410 escritores autografando. A discussão sobre o negro, a lusofonia, o gênero, o índio, a política, a sexualidade, o feminino, a desigualdade social, a religião, as doenças se fará presente na Feira. “A Feira é um reflexo do que estamos vivendo. É do DNA da Feira colocar todos os temas do momento em discussão”, observa o presidente da Câmara do Livro, Marco Cena.

A coordenadora da área Geral e Adulta, Jussara Haubert Rodrigues, observa que a diversidade, a tolerância e muitas representações do mundo todo e do país compõem a criação da programação desta edição. “Teremos uma representação dos países nórdicos, Islândia, Finlândia, Dinamarca (Ilhas Faroe), Noruega e Suécia e novas traduções das línguas originais numa ação da Vikings of Brazil”, afirma. O diálogo que irá se estabelecer entre África e Brasil pelo Triângulo do Atlântico, da 11ª Bienal do Mercosul, terá o Nobel nigeriano Wole Soyinka no dia 19, 11h, no Theatro São Pedro, e também o moçambicano Mia Couto e o angolano Ondjaki, e autores nacionais como Conceição Evaristo, Daniel Munduruku, Otávio Jr. “A Feira é extremamente democrática. É importante que os que leem e são embasados ouçam e se façam ouvir por aqueles que têm ideia firme e não têm base. Será o momento para se colocar no lugar do outro, para troca, para ler e debater, trocar as verdades absolutas pela dúvida, por uma outra construção”, analisa. Dois autores portugueses também estarão na Feira, José Luís Peixoto e Ricardo Araújo Pereira, humorista que estará em mesa com Gregório Duvivier e Antônio Prata.

A sintonia com os tempos líquidos, digitalizados, conectados se fará presente com a criação de um Game da Feira, a partir do dia 1º, 18h, com 50 perguntas e participação dos jovens; filmagens em 360 graus, participação de influenciadores digitais (booktubers, youtubers e instagramers), como Pam Gonçalves e Vitor Martins. Conforme a coordenadora da área Infantil e Internacional, Sônia Zanchetta, o Teatro Carlos Urbim terá edições do Autor no Palco e saraus para EJA, entre outras atrações, enquanto o QG dos Pitocos (crianças até 6 anos) trabalhará Hans Christian-Andersen. Haverá atrações na Tenda de Pasárgada, Espaço do Conhecimento e Estação da Acessibilidade. Entre os autores confirmados, estão Rogério Andrade Barbosa, Manuel Filho, Rosana Rios, Ieda de Oliveira, Selma Maria, Heloisa Prieto e Fabio Monteiro. “Os professores têm que se desafiar e ir atrás de novas tecnologias para transformá-los em conhecimento, saber das demandas dos alunos”, ressalta Sônia.

A patrona Valesca de Assis, autora de obras como “Harmonia das Esferas” e “A Ponta do Silêncio”, quer ajudar a Feira a ser carinhosa, afetuosa e debater questões importantes da resistência cultural, do livro, mercado, da literatura. “Foi uma honra a escolha para esta incumbência. Temos um compromisso em difundir o livro e a literatura. Quero ser incansável, pois este é um processo na minha vida, não só um patronato eventual”.