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  • 11/04/2017
  • 14:57
  • Atualização: 15:39

Cartas de Sylvia Plath revelam que poetisa sofria agressão do marido

Correspondências com a terapeuta Ruth Barnhouse indicam que ela era agredida física e verbalmente

Plath foi casada com Ted Hughes entre 1956 e 1963 | Foto: Divulgação / CP

Plath foi casada com Ted Hughes entre 1956 e 1963 | Foto: Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

Cartas da poetisa e romancista norte-americana Sylvia Plath destinadas à sua ex-terapeuta Ruth Barnhouse contêm alegações de abuso doméstico por parte do marido. Escritas entre setembro e outubro de 1962, poucos meses antes de Plath tirar a própria vida, as correspondências relatam que Ted Hughes a agrediu dois dias antes dela sofrer um aborto espontâneo e que o homem lhe disse que desejava que ela estivesse morta. De acordo com o jornal The Guardian, esses são os únicos relatos não censurados dos últimos meses da autora.

Eles são parte de uma coleção criada pela estudiosa Harriet Rosenstein sete anos depois que Plath morreu, que só veio à tona depois que um livreiro a leiloou por 695 mil libras. O acervo é formado por nove cartas redigidas após a descoberta de infidelidade de Hughes com a amiga do casal Assia Wevill, em julho de 1962. Esses documentos serão publicados como livro em 5 de outubro pela Faber, cujo coeditor Peter K Steinberg afirma ser "um incrível material que foi deixado completamente fora do radar".

As sessões com Barnhouse terminaram quando a poetisa se mudou para a Inglaterra, mas as duas compartilharam uma amizade próxima e que é de amplo estudo na academia. As correspondências revelam uma intimidade acolhedora e aberta, assim como um senso incomum de humor. Mas as passagens mais chocantes revelam a acusação de abuso físico pouco antes de Plath sofrer um aborto do segundo filho em 1961, em uma carta datada de 22 de setembro de 1962 - uma das respostas da terapeuta diz para que Plath mantenha o homem afastado de sua cama. Vários dos poemas da autora abordam seu aborto, como "Parliament Hill Fields".

Outra carta da coleção, de 21 de outubro de 1962, revela que Hughes disse diretamente a Plath que desejava que ela estivesseve morta. Neste mesmo mês, a poetisa escreveu a maioria dos poemas que seriam incluídos em "Ariel" - publicado postumamente em 1965 - e que inclui muitas referências e iconografia muitas vezes interpretada como sendo sobre o marido. Na mesma época, Plath escreveu para a mãe afirmando que estava escrevendo os "melhores poemas da minha vida. Eles farão o meu nome".

O relacionamento complicado e abusivo já foi lembrado por Hughes, que escreveu o livro "Birthday Letters", em 1998, para rebater as críticas feministas que, nos anos 70, denunciaram seu comportamento para com a ex-esposa. Durante esse período, ele foi interrompido com gritos de "assassino" em suas leituras. Na sepultura da poetisa, se lia "Sylvia Plath Hughes", mas o seu sobrenome foi riscado por críticos.