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  • 08/11/2017
  • 16:04
  • Atualização: 18:18

Duca Leindecker comemora 30 anos de carreira com show no Opinião

Sucessos do Cidadão Quem e do Pouca Vogal se misturam às novas canções do artista nesta quinta

“Eu toco de tudo no show, de todas as fases e também músicas novas”, diz Duca | Foto: Divulgação / CP

“Eu toco de tudo no show, de todas as fases e também músicas novas”, diz Duca | Foto: Divulgação / CP

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  • Eric Raupp e Júlia Endress

Dezenove anos depois do lançamento de "Spermatozoon", o terceiro álbum da Cidadão Quem, Duca Leindecker retorna ao palco do Opinião, desta vez para comemorar os 30 anos de sua carreira. Da lembrança "meio obscura" do show em 1998 - em que estava com pneumonia - para a apresentação programada para esta quinta-feira, o cantor e compositor preparou um repertório que contempla não apenas canções daquele álbum, mas de todos os discos do grupo, além de trabalhos do Pouca Vogal e músicas de sua trajetória solo. “Eu toco de tudo no show, de todas as fases e também músicas novas”, diz Duca durante conversa por telefone.

Esse apanhado da carreira é uma síntese da expressividade do artista, que acumula uma infinidade de fãs e tem faixas sendo regravadas por nomes das novas gerações. Sobre essas novas versões, ele conta que é gratificante ver o impacto de seu trabalho. “É muito legal quando a música cria uma dimensão de vida própria. Chega um ponto em que a música não é mais tua, ela se torna das pessoas; isso é o sonho de qualquer compositor”, analisa. Para que seu trabalho se mantenha atual, ele aposta na reinvenção. “Eu estou sempre mudando, eu procuro nunca me repetir. Buscar coisas diferentes é o mínimo que um artista pode fazer, porque a repetição não tem nenhum valor. Ele precisa se renovar sempre, encontrar coisas que deem novas sensações, que não sejam iguais àquelas que você já teve", comenta.

Conforme o músico, nos últimos anos ele fez uma busca por novos sons, representada no álbum "Voz, Violão e Batucada" (2013), em que explorou diferentes técnicas de tocar violão e se apresentou como um homem banda. Depois, veio "Plano Aberto" (2015), gravado ao vivo em Porto Alegre, e agora ele planeja lançar em março um novo disco com 14 inéditas, que incluem parcerias com Humberto Gessinger e Marcelo Truder. O trabalho terá um formato mais parecido com a Cidadão Quem, e tem o título provisório de "Baixar Armas". "Esse nome tem inspiração no momento de intolerância das pessoas, de agressão mútua e falta de fidelidade, paciência e sabedoria. É um momento em que a gente tem que cultivar novamente a admiração pelos nossos oponentes, aquele respeito, e entrar num combate honroso e não essa baixaria que está rolando por aí", explica o artista.

Dono de uma grande sensibilidade transmitida em suas canções e em seus livros, Duca diz se inspirar na vida para suas composições e prefere não fazer planos a longo prazo, pois gosta de levar um dia após o outro. "Eu achava que eu ia morrer com 25 anos, eu tinha essa coisa na minha cabeça que ia morrer muito cedo. Acabou que morreu todo mundo na minha volta e eu continuei vivo. Eu sou muito feliz de estar vivo, tocando, 100% vivendo de arte, com literatura e música, que é coisa mais valiosa que existe. Eu sou um cara muito realizado e agradeço a todo mundo que me acompanha, que curte o meu trabalho e me dá feedbacks tão bacanas ao longo desse tempo", afirma.

Apesar disso, pensa em lançar outros livros e adianta algumas ideias para o Pouca Vogal, projeto ao lado de Gessinger e que completa 10 anos em 2018. A data até pode ser comemorada com algumas reuniões pontuais do duo, mas isso vai depender das agendas deles. "Eu adoro tocar com o Humberto. É um gênio da música brasileira, uma pessoa singular, inteligentíssima. Foi um projeto muito legal, no qual a gente dividiu tudo. É muito difícil dois líderes de banda fazerem isso. Mas a gente fez: dividimos palcos, criações, instrumentos. E é uma coisa muito bonita quando acontece", comenta. Duca ainda afirma que as experiências ao lado do amigo e companheiro de profissão e especialmente com o Cidadão Quem, formada com o irmão Luciano Leindecker e Cau Hafner em meados da décadas de 1990, ajudaram a definir sua identidade.

A celebração desse bem-sucedido período de atividade começa a partir das 21h desta quinta, quando Duca assumirá os vocais, o violão, a guitarra e o piano no palco do bar Opinião (José do Patrocínio, 834). Para tocar sucessos como "Amanhã Colorido", "Depois da Curva" e "Dia Especial", o cantor estará acompanhado de Maurício Chaise, no baixo, e Claudio Mattos, na bateria. Para quem ainda não garantiu ingressos, restam entradas disponíveis a partir de R$ 90 (inteira).