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  • 16/03/2017
  • 16:09
  • Atualização: 21:59

O rock anda muito careta, avalia Beto Bruno, da Cachorro Grande

Banda leva turnê "Electromod" ao Opinião neste sábado

Repertório é meio a meio de músicas dos dois discos recentes e de sucessos dos outros seis | Foto: Muto / Divulgação / CP

Repertório é meio a meio de músicas dos dois discos recentes e de sucessos dos outros seis | Foto: Muto / Divulgação / CP

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  • Luiz Gonzaga Lopes

A banda gaúcha Cachorro Grande volta ao palco do Opinião (José do Patrocínio, 834) neste sábado, às 20h. O show que promove o mais recente trabalho de estúdio, "Electromod", lançado em setembro do ano passado, tem abertura da banda curitibana Trem Fantasma, às 19h. Os ingressos custam R$ 60 e estão sendo vendidos nas lojas Youcom e Mil Sons e pelo site.

Com oito discos lançados nestes 18 anos, "Electromod" representa mais uma atualização e ousadia do som da Cachorro Grande, assim como "Costa do Marfim" (2014) havia representado. Segundo o vocalista Beto Bruno, os dois discos mostram "a evolução e a sintonia da banda com os sons europeus e não com aquele rock garageiro que nunca evolui".

A distorção, os riffs, os solos em conjunto com a métrica de música eletrônica fazem das músicas do novo disco da Cachorro uma coisa única. No Opinião, Beto, Marcelo Gross (guitarra), Gabriel Azambuja (bateria), Pedro Pelotas (teclados) e Rodolfo Krieger (baixo) vão apresentar músicas como "Tarântula", "Limpol no Astral", "Nem Tudo é Mais como Era Antes" e "Ben-Hur", além de clássicas como "Que Loucura!", "Dia Perfeito", "Roda Gigante" e "Como Era Bom". "Deixamos esta apresentação em Porto Alegre como uma das últimas da turnê. Queríamos estar mais afiados. As músicas são mais complicadas. Não é mais aquele rock garageiro. Tem todo um estudo para levá-las ao palco. Tem uma métrica para acertar com a trilha ao fundo", destaca Beto Bruno, lembrando que o show dura 1h40min, com pouco mais de 20 músicas, meio a meio entre as dos dois últimos discos e os hits.

Sobre os dois últimos discos que tiveram produção de Edu K, Beto lembra que no início alguns falavam que eles estavam loucos em fazer diferente. "Chegamos ao estúdio sem todas as letras e arranjos prontos como era de praxe nos discos anteriores. Aí tivemos mais margem e liberdade para criação, para colocar elementos da inspiração do momento, para improvisar", afirma.

A voz da Cachorro considera que o rock ficou burocrático e careta. "O rock apareceu há 60 anos sob o signo da trangressão. Agora, as bandas de rock entraram numa fórmula e não duram dois discos. As bandas do Rio Grande do Sul nem aparecem aqui no centro do país. Não vejo mais um movimento do rock gaúcho. Meus brothers daí só reclamam que tá ruim, mas não vejo o pessoal se mobilizando ou fazendo algo novo. Não fico sabendo de nenhuma banda nova que valha a pena", diz o vocalista, natural de Passo Fundo, e que saiu de Porto Alegre há 15 anos, junto com a banda.

A respeito deste sopro de renovação que enfatiza na resposta anterior, ele diz que outras praças como Belo Horizonte, Goiânia e Curitiba tem uma cena roqueira inovadora. "Queria pedir para o nosso público chegar cedo ao Opinião, pois a Trem Fantasma está vindo pela primeira vez a Porto Alegre com esse disco 'Lapso', o melhor disco de rock do Brasil no ano passado. A imprensa elogiou, colocou nas melhores listas. É um luxo de som, com muitas referências e criatividade ilimitada. Que sirva de exemplo para as bandas gaúchas", aconselha Beto, que produziu o disco dos paranaenses.

“Estamos na expectativa de lançar o 'Lapso' no RS desde o momento que o álbum saiu. É muito representativo pra nós fazer esse show no Opinião com a Cachorro Grande. Temos um carinho muito especial pelo estado, temos muitos amigos aí. Tanto a própria Cachorro Grande e o pessoal do Selo 180, como a Catavento e a galera da Honey Bomb Records, entre outras bandas e selos que a gente admira", declara o baixista da Trem Fantasma, Rayman Juk.

Para finalizar, Beto Bruno continua insistindo que a cena de Porto Alegre não é mais a mesma. "Não é só os assaltos, a insegurança, é a acomodação e o só reclamar e não criar. É uma das capitais mais lindas do Brasil. Tem gente inteligente à beça. Alguém tem que botar o dedo nesta ferida. Do Rio Grande do Sul, só conseguem aparecer os caras da velha guarda do rock. Se tem menos bares para tocar, ainda tem o Opinião. Os caras têm que se organizar, criar festivais, ir atrás de grana, de grandes centros. Não dá para ficar repetindo fórmulas e achar que está tá tudo bem. Hoje em dia, não tem nenhuma banda mais recente de Porto Alegre que me faria sair de casa para assisti-los", conclui Beto Bruno.


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