Porto Alegre

18ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, terça-feira, 19 de Setembro de 2017

  • 14/07/2017
  • 14:28
  • Atualização: 15:24

Demônios da Garoa traz seu samba paulistano a Porto Alegre neste domingo

Em sua terceira geração, grupo tocará sucessos como "Saudosa Maloca" e "Trem das Onze"

Demônios da Garoa tem 74 anos de carreira e está em sua terceira geração | Foto: Fábio Buka / Divulgação / CP

Demônios da Garoa tem 74 anos de carreira e está em sua terceira geração | Foto: Fábio Buka / Divulgação / CP

  • Comentários
  • Luiz Gonzaga Lopes

Um sucesso de bilheteria em 2016 na capital gaúcha, os Demônios da Garoa retornam para mais um show em Porto Alegre, neste domingo, às 18h, no Teatro do Bourbon Country (Tulio de Rose, 80). Quem quiser conversar com os integrantes antes poderá participar de uma Feijoada no Restaurante Dado Bier, para apenas 100 pessoas. Ingressos para a feijoada podem ser adquiridos no Restaurante Dado Bier do Bourbon Country a R$ 110,00 e para o show, com preços entre R$ 80,00 e R$ 220,00, na bilheteria do Teatro do Bourbon Country, no site ou pelo fone (51) 4003-1212.

Na apresentação, o grupo com 74 anos de carreira e que já está na terceira geração, interpreta os grandes sucessos de Adoniran Barbosa, como "Samba do Arnesto", "Saudosa Maloca", "Trem das Onze", "Tiro ao Álvaro", "Iracema", entre outras, além de sucessos de outros compositores, como "Eu Sou o Samba" e "Você Abusou". A formação atual tem Izael (timba e voz), Sérgio Rosa (afoxé e voz), Ricardinho Rosa (pandeiro e voz), Canhotinho (cavaquinho e voz) e Dedé Paraizo (violão 7 cordas e voz). O Demônios conta também com banda de apoio, formada por bateria, violão de 6 cordas e contrabaixo.

Sobre a volta deste show a Porto Alegre, depois de duas noites de casa cheia, em abril e agosto de 2016, o líder atual do grupo, Sérgio Rosa, de 62 anos, destaca que é uma satisfação muito grande manter a chama dos Demônios da Garoa acesa. "Continuamos mostrando o nosso 'quais, quais', a nossa música, o tão falado samba paulistano, que passa de geração em geração. Sou da segunda geração, filho do fundador, Arnaldo Rosa e já tenho dois filhos juntos nesta batalha. As pessoas nos pedem encarecidamente que não deixemos o Demônios acabar. Muitos do nosso público já foram embora deste mundo e a gente continua aí agradando a antiga e a nova geração", destaca Sérgio.

O grupo começou como um hobby em 1943, quando meninos entre 12 e 14 anos de idade, apaixonados por música, cantoria e batucada, se encontravam todas as noites após seus trabalhos na casa de Arnaldo Rosa, para tocar grandes sucessos da época, imitando grupos famosos, como Quatro Ases e Um Coringa, Vocalistas Tropicais, entre outros. Eles costumavam se apresentar em festinhas de amigos, serenatas e em clubes com o nome de Grupo do Luar, já sob o comando de Arnaldo Rosa. Assim, foram ficando conhecidos e pessoas vinham de longe para ouvi-los. Moravam e trabalhavam na Mooca e em bairros vizinhos, como Brás e Belém. No ano seguinte, num concurso de rádio, mudaram o nome para Demônios da Garoa.

Em 1949, os Demônios da Garoa fizeram um arranjo para a música "Muié Rendeira", interpretando-a ao lado de Homero Marques, na trilha sonora do filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto, campeão do Festival de Cannes (Melhor Filme de Aventura em 1953), onde conheceram Adoniran Barbosa. Ao completarem sete anos de carreira, entraram pela primeira vez num estúdio de gravação e a história nunca mais parou, com inúmeros sucessos que fazem parte da música popular brasileira.

Sérgio Rosa destaca que o Demônios é um grupo que funciona muito bem ao vivo, que se diverte tocando e cantando. "A gente não se dá o direito de não aceitar pedidos do público ou mudar o repertório. É sempre uma emoção quando vemos na plateia, um avô ou avó, um pai ou mãe e os netos, todos cantando as nossas músicas. Isto nos contagia", revela.

Considerando que a vida de um grupo, mesmo com mais de 70 anos de carreira, é sempre um aprendizado, Sérgio conta que os integrantes estão sempre sintonizados com o que há de novo na música brasileira e no samba, especificamente. "A gente tem um monte de referências de grupos que vieram bem depois de nós. Quando ouvimos o ExaltaSamba, vimos que eles tinham uma marca. Pelas introduções das músicas de alguns grupos, a gente já sabe que é eles de olhos fechados, como é o caso do Raça Negra e de outros do gênero. Temos muita amizade na música e já fizemos shows e gravações com gente boa como o Péricles e Dudu Nobre, por exemplo", finaliza Sérgio Rosa.