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  • 04/07/2016
  • 18:35
  • Atualização: 18:39

Dior revive clássicos da alta-costura em Paris

Coleção aposta em um dos truques visuais favoritos do fundador: contrastar branco com preto

Coleção aposta em um dos truques visuais favoritos do fundador: contrastar branco com preto | Foto: Francois Guillot / AFP / CP

Coleção aposta em um dos truques visuais favoritos do fundador: contrastar branco com preto | Foto: Francois Guillot / AFP / CP

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  • AFP

A maison Dior bebeu na fonte de seus próprios clássicos para a coleção de Alta-costura apresentada nessa segunda-feira, à espera da nomeação iminente da italiana Maria Grazia Chiuri como nova diretora artística. A chegada à Dior da atual estilista da maison Valentino ainda não foi anunciada, mas todos dão a notícia como certa.

Chiuri, que vai apresentar sua última coleção para Valentino na quarta-feira, codirigida por Pierpaolo Piccioli, vai substituir o belga Raf Simons, que deixou o cargo no ano passado. Para essa coleção outono-inverno de espera, à cargo do ateliê Dior, Lucie Meier e Serge Ruffieux usaram um dos truques visuais favoritos do fundador, Christian Dior: contrastar branco com preto. "Dior adorava a justaposição dos dois. 'O branco -dizia- é simples, puro e pode ser usado com tudo, enquanto que sobre o preto eu poderia escrever um livro inteiro'".

A famosa silhueta "Bar" - jaqueta de cintura ajustada usada com saia longa - aparece com variações em boa parte dessa coleção de elegância sóbria. O toque de fantasia ficou a cargo dos dourado, que aparece em bordados e é usado como uma joia. O poeta Jean Cocteau dizia sobre Dior: "Nome mágico, que funde em uma só palavra Deus (Dieu em francês) e ouro (Or em francês)".

Universo onírico de Schiaparelli

O desfile de Schiaparelli prestou homenagem à famosa coleção "Cirque", que em 1938 apresentou a fundadora da maison que leva seu nome, principal concorrente de Coco Chanel. Famosa por seu amor pelo espetáculo e pelo universo dos surrealistas, Elsa Schiaparelli - amiga de Dali e Cocteau - adorava misturar arte e moda.

Para sua coleção outono-inverno, o diretor artístico Bertrand Guyon apelou para "brilho, luminosidade, colorido e sublimação do corpo". Acompanhadas pela música composta por Nino Rota para "Casanova" de Fellini, as modelos desfilavam como em um sonho, a passos lentos. A atriz espanhola Rosy de Palma assistiu ao desfile na primeira fila.

Os ombros aparecem muitos marcados. Os bordados decoram uma jaqueta e um vestido de veludo preto com acrobatas e malabaristas. Outra no estilo Arlequim é coberta de lantejoulas em cores aquareladas. O famoso "rosa-shocking" da marca volta em toques esporádicos, como em uma fênix bordada em um vestido longo.

Alta-costura do futuro

Fruto de suas viagem para o Japão, a jovem estilista holandesa Iris Van Herpen admira a cultura do país que inspirou sua coleção, sob o título "Seijaku": a busca de equilíbrio em um mundo caótico. Na nave inundada de incenso de um oratório barroco, a dois passos do Louvre, o músico Kazuya Nagaya toca uma música suave com copos zen colocados no chão.

Quase imóveis, as modelos posam como estátuas ou bonecas. São muitas as formas orgânicas nessa coleção com uma dezena de silhuetas. Um vestido de tule e organza flutua no espaço imóvel do templo protestante. Outro, bordado com cristais Swarovski, parece cobrir de gotas d'água o corpo feminino.

Feito com mais de mil esferas de cristal sopradas à mão e cobertas de silicone transparente, um vestido direto do futuro reflete o salão. Outro glorifica a essência feminina em um jogo de cavidades orgânicas criadas graças às novas técnicas a laser.

Sua moda, disse a estilista de 32 anos após o desfile, "explora novas formas de fazer roupas para o futuro". Uma aposta valiosa em uma época em que até criadores de grandes marcas parecem temerosos de dar o menor passo sem usar as referências de décadas passadas.


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