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  • 04/03/2017
  • 10:10
  • Atualização: 10:14

Dior leva a roupa de trabalho para passarela em Paris

Diretora artística Maria Grazia Chiuri proclamou seu feminismo em camisetas

Azul da coleção lembra os estereótipos ligados ao gênero | Foto: François Guillot / AFP /CP

Azul da coleção lembra os estereótipos ligados ao gênero | Foto: François Guillot / AFP /CP

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  • AFP

O inverno será azul para a Dior, que desfilou uma mulher ativa e militante usando uniforme de trabalho, ou militar, nessa sexta, no quarto dia da Semana de Moda parisiense, marcada também pelo desfile retrô glamour de Vanessa Seward. Em sua primeira coleção na Dior em setembro, a diretora artística Maria Grazia Chiuri proclamou seu feminismo em camisetas e apresentou looks de esgrimista.

A estilista italiana continuou a explorar o tema do uniforme nesta sua segunda coleção de prêt-à-porter: militar com boinas pretas e um ar revolucionário, mas também de trabalho, com conjuntos e a calça de operário original, o famoso jeans. "Você pode misturar esses elementos para fazer seu próprio uniforme", explica Maria Grazia Chiuri em entrevista à AFP. "Às vezes, você precisa que a roupa te proteja. O uniforme responde a essa ideia de preservar seu espaço pessoal", completou.

Em outras, "o uniforme fala de igualdade", diz a estilista, que usava uma bandana branca de mensagem feminista, item lançado pelo site especializado "Business of Fashion" após a eleição de Donald Trump, em sinal de unidade e tolerância e que cresceu durante as semanas de moda de Nova York e de Londres. "Se quisermos mais igualdade, temos de trabalhar juntos", diz a estilista.

O azul da coleção lembra também os estereótipos ligados ao gênero, explica Maria Grazia, porque essa cor é muitas vezes associada aos meninos, em oposição ao rosa, para as meninas. "De todas as cores, apenas o azul-marinho pode competir com o preto em igualdade", afirmou Christian Dior. A diretora artística da marca, que diz fazer parte da "geração do preto", foi inspirada pelo azul acinzentado em vestidos do arquivo da marca. Ela também recorreu a um look de 1949, inspirado nas túnicas de pastores, com uma grande capa e um ar de monastério, mostrando peças de alfaiataria com linhas sóbrias e apuradas e trabalhando os tafetás em vestidos plissados e babados.

O veludo é também muito presente, como em um vestido curto usado com botas acima dos joelhos. Nesse universo azul-noite, o gosto de Christian Dior pelos astros, que inspirou grande parte da coleção de Alta-Costura de janeiro, também estava presente nessa coleção, com cometas e luas que brilhavam em casacos e em uma saia leve de tule. Usando uma boina da coleção, Rihanna, o rosto da marca, assistiu ao desfile no Museu Rodin junto com Kate Moss e Uma Thurman.

Vanessa Seward mostra uma "santa hipócrita"

Conhecida por seus looks de uma feminilidade clássica com toque vintage, a estilista Vanessa Seward introduziu um lado "mais sexy" nessa coleção, com vestidos curtos e botas. A mulher pensada pela marca é sedutora, com meias finas, pele, sapatos de verniz, macacões e batom brilhante. Ou esconde o jogo por trás de uma aparência mais clássica, com saia longa e camisa sob um casaco com a frase "santa hipócrita". "Sempre me disseram que eu tinha um lado santa hipócrita! Eu gosto de um lado um pouco sexy, onde não revelamos muito, onde as coisas são adivinhadas", disse a estilista em entrevista à AFP.

A coleção também tem um toque esportivo, com elementos da roupa de esqui, como casacos de golas altas imensas, capuz e polainas, revisitadas com um olhar mais urbano. Entre os espectadores do desfile, organizado nos luxuosos salões franco-americanos, o músico Bertrand Burgalat aplaudiu da segunda fileira o desfile de sua mulher. Na primeira fila, estavam Catherine Deneuve e Karine Viard, além da cantora Lou Doillon.


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