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  • 27/02/2018
  • 16:09
  • Atualização: 16:13

Dior celebra a mulher livre de maio de 1968

Desfile foi aberto com modelo vestindo suéter branco e verde estampado com a frase "C'est non non non et non"

Desfile foi aberto com modelo vestindo suéter branco e verde estampado com a frase

Desfile foi aberto com modelo vestindo suéter branco e verde estampado com a frase "C´est non non non et non" | Foto: François Guillot / AFP / CP

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As flores e cores vivas características do espírito "hippie" de 1968 inundaram nessa terça-feira o último desfile feminista da Dior em Paris, obviamente com a presença de celebridades. Desde sua chegada à maison, em meados de 2016, a diretora artística Maria Grazia Chiuri agitou a bandeira feminista e este aceno para o outono-inverno não foi uma exceção, ao inaugurá-lo com um suéter branco e verde e a frase estampada no centro: "C'est non non non et non" (Não É Não).

"Essa frase estava nos arquivos de Christian Dior... Acredito que por vezes é bom dizer não, não, não. Além disso, também chamo minha filha de 'Senhora Não'", disse a estilista italiana em entrevista. Em pleno furacão criado pelo escândalo Weinstein e a campanha #MeToo, o roupa é suscetível de se transformar rapidamente em um clássico dos fashionistas, como a primeira camiseta militante lançada por Chiuri com o slogan "We should all be feminists" (Deveríamos todos ser feministas) e que no site da Dior custa 550 euros (670 dólares).

A mensagem de reivindicação se espalhou por toda a cenografia do Museu Rodin de Paris, com as paredes cobertas com recortes de revistas especializadas como Vogue, Elle e Cosmopolitan, fotografias dos anos 1970 e frases como "Women rights are human rights" (Direitos das mulheres são direitos humanos).

"Minissaias para sempre"

"Queria fazer uma homenagem" a essas publicações que "apoiaram em grande escala a liberação das mulheres", disse a estilista. Nesse universo, a estilista apresentou uma coleção de prêt-à-porter inspirada no movimento de maio de 1968 e trouxe uma onda de calor a um dia de frio siberiano em Paris, com uma paleta de cores que incluiu amarelo, laranja, vermelho e lilás, combinada com estampas e patchworks.

"Feminismo significa liberdade. E o ponto de partida foram as revoluções de 1968. Quis saber o que aconteceu na Dior em 1968 e encontrei essa história divertida de mulheres que protestaram na loja (de Londres) porque queriam mais minissaias", disse Chiuri em alusão a uma imensa fotografia exposta em branco e preto em que uma mulher exibe um cartaz que diz: "Minissaias para sempre".

O chapéu "gavroche" (inspirado no personagem do romance "Os Miseráveis", de Victor Hugo) e os óculos de sol quadrados representam o denominador comum dos looks, em que os vestidos transparentes revelavam sutiãs esportivos sem aros e shorts. As bolsas são carregadas a tiracolo e os cintos são pretos, grossos e bem ajustados à cintura.

A plateia da Dior não decepcionou, com celebridades e fashionistas aos montes. A atriz e modelo britânica Cara Delevingne e a atriz francesa Isabelle Huppert assistiram ao desfile. A Semana de Moda de Paris se estende até 6 de março.