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  • 24/03/2018
  • 12:58
  • Atualização: 13:04

Brechós fazem parte da agenda cultural de Porto Alegre

Feiras de desapego e briques são espaços para comprar objetos baratos e praticar sustentabilidade

Feiras de desapego e briques são espaços para comprar objetos baratos e praticar sustentabilidade | Foto: Ricardo Giusti

Feiras de desapego e briques são espaços para comprar objetos baratos e praticar sustentabilidade | Foto: Ricardo Giusti

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  • Maria Olívia Ferme

Em tempos de consumo desenfreado e de condições facilitadas de pagamento, os brechós, ou briques, como preferir, assumiram destaque entre os lugares favoritos para se comprar. Mais do que inseridos no conceito de troca-troca e de total desapego, esses espaços deixaram de ser vistos apenas como um abrigo de “roupas e objetos usados”, se tornaram cool e já fazem parte da agenda cultural de Porto Alegre.

A ideia de usar modelitos ou utensílios que outras pessoas não querem mais passa, hoje, pelo princípio do desenvolvimento sustentável e do cuidado com o meio ambiente. No momento em que você compra uma peça usada ou repassa uma sua, você está automaticamente aumentando o ciclo de vida desse produto e diminuindo a compra de novos. Ou seja, renovar o guarda-roupa ou a casa em briques é uma tarefa que, além de prazerosa, reforça a importância do reaproveitamento.

Natalia Guasso está à frente do Brick de Desapegos, brechó que acontece sempre no terceiro domingo do mês em Porto Alegre e que teve sua última edição no dia 18, na Associação Israelita Hebraica, num clima superdescontraído. Um dos primeiros da cidade a trabalhar com o conceito de desapego e de compra consciente, o brique reúne expositores que colocam à venda peças pelas quais não têm mais interesse, mas que ainda podem ser bem reaproveitadas. “No último evento tivemos 50 expositores que disponibilizaram moda sustentável, entre modelitos vintage, retrô e atuais”, comenta.

A história do Brick começou em 2011. “Nossa primeira edição aconteceu depois de um convite que fiz nas redes sociais e desde lá tivemos um crescimento gigantesco”, declara. Toda orgulhosa, a publicitária reconhece a importância do Brick no movimento da compra consciente e do reaproveitamento. “As pessoas procuravam os brechós exclusivamente por causa do baixo preço dos artigos, mas hoje em dia a questão da sustentabilidade ganhou relevância indiscutível e acredito que muito se deve ao Brick por seu pioneirismo”, relata.

Prova disso é a estudante de Engenharia Civil Giulia Kny, de 22 anos, que frequenta o brechó há três edições e diz estar mudando seus hábitos de consumo em função do evento. “Quando quero novidades no meu guarda-roupa venho ao Brick, já que aqui encontro peças em conta e que valorizam a moda sustentável”, declara.

Da ideia de um amigo indo morar na Argentina e querendo se desfazer de seus pertences surgiu o Desapega Lá Em Casa, idealizado pela arquiteta Vanessa Kaminski. “No início era só um grupo de amigos meus e de amigos desse meu amigo, mas a coisa assumiu uma dimensão muito maior e hoje temos 48 mil seguidores”, declara.

O grupo fechado numa rede social da internet, que comercializa utensílios de decoração, eletrodomésticos e móveis usados em boas condições, ganhou forma em julho de 2015 e hoje é um fenômeno de vendas, tanto que Vanessa começou a promover eventos bimensais em vários locais da cidade.

O último aconteceu nesse domingo, na Encol, ganhou o nome de Desapega Lá na Praça e só confirmou o quanto as pessoas estão investindo alto no cuidado com o meio ambiente. Além dos achados e da possibilidade de ter uma peça exclusiva, quando você compra no Desapega, ou em qualquer outro brechó, você está levantando a bandeira do consumo consciente e adquirindo o objeto mais sustentável de todos, o que já existe.