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  • 23/11/2017
  • 20:38
  • Atualização: 23:06

Pedro Cardoso abandona programa ao vivo e critica emissora

Justificativas foram greve de funcionários da EBC e comentários do presidente da entidade sobre Taís Araújo

Justificativas foram greve de funcionários da EBC e comentários do presidente da entidade sobre Taís Araújo | Foto: Reprodução / EBC / CP

Justificativas foram greve de funcionários da EBC e comentários do presidente da entidade sobre Taís Araújo | Foto: Reprodução / EBC / CP

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O ator Pedro Cardoso, conhecido por ter feito o papel de Agostinho Carrara no seriado A Grande Família, chamou atenção nesta quinta-feira ao recusar-se a participar do programa “Sem Censura”, da TV Brasil, e saiu de cena ao vivo.

Como justificativas, Cardoso citou a existência de uma greve ocorrendo entre os funcionários da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) no momento em que o programa era gravado, e também a “comentários extremamente inapropriados” do presidente da entidade, Laerte Rimoli, direcionados a uma atriz negra - alusão a Taís Araújo.

Logo no início do programa, ao ser abordado pela primeira vez, foi enfático: "Não vou responder essa pergunta - e nenhuma outra - porque quando cheguei aqui hoje, encontrei uma empresa que está em greve. E não participo de programas de empresas que estão em greve. Vim sentar aqui porque, além da greve, que não me cabe julgar, não conheço a negociação e não estou a par, também não me cabe emitir opinião a respeito de quem está fazendo a greve e de quem está aqui trabalhando, cabe a mim o maior respeito a todos vocês. A todos vocês. Que estão parados, que estão trabalhando, aos que estão aqui".

"Mas, diante deste governo que está governando o Brasil, eu tenho muita convicção de que as pessoas que estão fazendo esta greve provavelmente estão cobertas de razão. Então eu não vou falar do assunto que vim falar, nem de nenhum outro", prosseguiu.

O ator ainda fez críticas a Laerte Rimoli, presidente da EBC, empresa estatal responsável pela produção da TV Brasil: "O que eu soube também quando cheguei aqui é que o presidente desta empresa, que pertence ao povo brasileiro, fez comentários extremamente inapropriados a respeito do que teria dito uma colega minha (provável referência a Taís Araújo) onde a presença do sangue africano é visível na pele - porque o sangue africano está presente em todos nós, e em alguns de nós está presente também na pele, mas em todos nós ele está."

Em seguida, finalizou seu discurso, que durou cerca de um minuto e meio, em tom mais alterado: "Então se esta empresa, que é casa do povo brasileiro, tem na presidência uma pessoa que fala contra isso, eu não posso falar do assunto que eu vim falar aqui. Eu tenho um imenso respeito por todos vocês aqui, peço desculpas, vou me levantar em respeito aos grevistas e vou embora."

O assunto ao qual Pedro se referia é o tema do programa, que abordaria a "música afro-brasileira, dependência digital e teatro". Também estavam presentes o ator Hugo Bonemer (primo de William Bonner), o cantor Carlos Negreiros, o professor Lúcio Lage.

Após ouvir todos os comentários feitos por Pedro, a apresentadora Katy Navarro solidarizou-se com o ator e, em seguida, chamou um intervalo comercial: "Respeito bastante sua opinião, respeito sua saída. A gente vive numa democracia e precisa respeitar a opinião de cada um. Pedro Cardoso obrigado pela sua presença, e entendo perfeitamente tudo que está acontecendo."

Defesa

A emissora manifestou-se por meio de uma nota enviada pela assessoria da emissora: "O ator Pedro Cardoso expressou-se livremente no programa Sem Censura desta tarde. Esta postura da EBC é o resultado da diretriz jornalística e profissional implementada pela atual direção da Empresa Brasil de Comunicação. Nossa programação é a prova viva - e ao vivo - de que esta empresa de comunicação pública é plural, é democrática, acolhe a diversidade de opinião e respeita a lei, inclusive o direito de greve."