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  • 02/04/2017
  • 08:37
  • Atualização: 09:02

"Prison Break" volta depois de oito anos graças aos novos fãs

Quinta temporada estreia nesta terça-feira, simultaneamente no Brasil e nos EUA

Série foi ao ar entre 2005 e 2009, mas retorno está marcado para esta terça-feira | Foto:  Didier Baverel / Fox / Divulgação / CP

Série foi ao ar entre 2005 e 2009, mas retorno está marcado para esta terça-feira | Foto: Didier Baverel / Fox / Divulgação / CP

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Dominic Purcell é um sujeito prático. E de poucas palavras. "Faço um trabalho por vez e não olho para trás", diz um dos protagonistas de "Prison Break", centrada em dois irmãos, Lincoln Burrows e Michael Scofield (Wentworth Miller), e uma prisão. A série foi ao ar entre 2005 e 2009.

Com o fim do seriado, Purcell seguiu em frente. Fez 22 filmes e mais cinco séries. Na última, a super-heróica "DC's Legends of Tomorrow", reencontrou Miller. O reencontro agitou os fãs que não tinham idade para acompanhar a trama da fuga na prisão enquanto ela ainda ia ao ar e a descobriram por meio da Netflix, onde estão disponíveis as quatro temporadas.

São eles, os novos fãs que "Prison Break" ganhou com o tempo, que Purcell responsabiliza pela existência da quinta temporada, cuja data de estreia, simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, é nesta terça-feira, às 23h, na Fox. "A série se tornou um sucesso quando estava no ar e, depois, com o passar dos anos. A demanda criada pela Netflix chamava por um retorno", justifica o ator de 47 anos. "Isso e o meu encontro com Wentworth. Nós estávamos prontos para voltar e explorar 'Prison Break' de novo", afirma.

"Prison Break" é, assim como tantas outras, datada de antes da atual e tão falada nova era de ouro da televisão. Mais uma a entrar no jogo das continuações, reboots e remakes e tentar disputar espaço com os lançamentos atuais. Nessa mesma onda, surfam produções como "24: Legacy", que visita o formato da série "24 Horas", mas com outro protagonista; "Twin Peaks", novamente sob o comando de David Lynch e Mark Frost; "The Good Fight", um spin-off de "The Good Wife"; "The Blacklist: Redemption", derivada de "The Blacklist", entre tantas outras.

Faz sentido, afinal. A TV sob demanda mudou as regras do jogo, definitivamente. Da forma como o público consome as séries à forma como a história, agora, é contada. Episódios mais longos ganham espaço na nova TV e, dessa forma, é esperada uma trama que seja mais contínua e não procedural - estilo de contar histórias com um caso a ser desvendado por semana ou um inimigo a ser batido.

"Arquivo X", da Fox, voltou depois de 15 anos. O mundo encontrado pelos agentes especiais Dana Scully (Gillian Anderson) e Fox Mulder (David Duchovny) era outro. As novas teorias da conspiração giravam em torno de uma ameaça tecnológica. E era inevitável o sentimento de nostalgia ao ver os dois atores, que por nove anos dividiram a cena em casos sombrios, partilhassem uma nova aventura. O grande perigo corrido por "Arquivo X", talvez a série de maior sucesso a ganhar uma sobrevida, é deixar o cheiro de naftalina para trás. É preciso acrescentar algo à história encerrada anos antes.

Algo que a mesma Netflix ainda parece precisar aprender. Por ter nas mãos dados de audiência precisos dos programas televisivos, ela sabe exatamente qual é o público-alvo de cada produção, sejam elas próprias ou dos outros, além dos hábitos dos telespectadores. Por isso, o serviço de streaming é responsável por alguns dos reboots e remakes que chegaram recentemente. "Três É Demais" (ou "Full House", no título original), no ar de 1984 a 1995, nunca foi um sucesso de crítica, mas se tornou queridinha do público e, além de tudo, responsável por lançar Mary-Kate e Ashley Olsen, gêmeas que construíram um pequeno império de fofura nos Estados Unidos depois do fim da série. A Netflix reergueu a série, com nova dinâmica, em 2016, com duas novas temporadas. De novo, a crítica não aprovou, mas o público, sim.

A mesma empresa de streaming está por trás do retorno da aclamada, porém sem audiência, "Arrested Development", uma comédia cujo elenco hoje seria estelar, com Jason Bateman, Will Arnett, Michael Cera e Jeffrey Tambor. A quarta temporada, produzida sete anos após o cancelamento do programa, teve dificuldade para reunir o elenco todo em um mesmo espaço. O resultado, em 2013, mostrava episódios focados em diferentes personagens. Nada se compara, contudo, ao retorno de "Gilmore Girls", adorada história que seguia mãe, Lorelai Gilmore, e filha, Rory. Ano passado, saiu um revival com quatro episódios na Netflix. A história, definitivamente, seguiu em frente - mas não agradou tanto aos fãs mais ardorosos.

Como Purcell garante, é isso o que o novo ano de "Prison Break" vai evitar. Otimista e, ainda assim, sem dizer muito: "Não vejo razão para a série não ser um sucesso", concluiu.


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