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Porto Alegre, domingo, 17 de Dezembro de 2017

  • 18/09/2017
  • 17:35
  • Atualização: 18:20

Espetáculo no Porto Alegre em Cena retrata conflitos durante a Ditadura Militar

"Guerrilheiras ou Para a Terra não Há Desaparecidos" tem apresentações nesta terça e quarta

Montagem tem direção de Georgette Fadel | Foto: Elisa Mendes / Divulgação / CP

Montagem tem direção de Georgette Fadel | Foto: Elisa Mendes / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

Com direção de Georgette Fadel e dramaturgia de Grace Passô, a peça "Guerrilheiras ou Para a Terra não Há Desaparecidos" reconta, mesclando ficção e realidade os dramas sobre a guerrilha às margens do Rio Araguaia ocorrida durante a ditadura militar. Com apresentações no Porto Alegre em Cena nesta terça e quarta na Sala Álvaro Moreyra (Av. Erico Veríssimo, 307), às 19h, o espetáculo é um dos destaques da programação. "Certas coisas devem ser feitas: manter a chama acesa, relembrar e iluminar a história das lutas e dos lutadores, com todas as contradições que cada luta carrega", destaca a diretora. Os ingressos custam R$ 80 e podem ser adquiridos pelo site.

A guerrilha aconteceu na floresta amazônica, entre os estados do Pará e Tocantins, e reuniu cerca de 70 pessoas – sendo 17 mulheres que saíram de diversas cidades do país para participar de um movimento guerrilheiro que pretendia derrubar a ditadura e tomar o poder, cercando a cidade pelo campo.Após uma profunda e detalhada pesquisa sobre o tema, Gabriela Carneiro da Cunha, idealizadora do projeto – que também atua no espetáculo – organizou uma ida até o sul do Pará com a diretora e as atrizes Carolina Virguez, Daniela Carmona, Fernanda Haucke e Mafalda Pequenino. Juntas viajaram 36 horas até chegarem às margens do Araguaia.

No lugar marcado pelo massacre ouviram relatos de quem presenciou a história, dando voz aos que foram mortos em uma terra de esquecidos e desaparecidos, onde ainda existe uma guerra velada.Por meio de um diálogo entre a ficção e o documentário, "Guerrilheiras ou Para a Terra não Há Desaparecidos" é um poema cênico criado a partir da história dessas mulheres, de sua luta e das memórias do que elas viveram e deixaram naquela região. A peça busca iluminar esse importante episódio da história do país, ainda tão nebuloso.

O espetáculo O "Líquido Tátil" fruto de uma parceria do grupo Espanca! com o diretor argentino Daniel Veronese, considerado um dos maiores nomes do teatro mundial e referência teórica e estética para os integrantes do projeto. A montagem tem apresentações até quinta, sempre às 18h, na Sala Carlos Carvalho (Andradas, 762). Nesta montagem, escrita originalmente em 1997, os atores Grace Passô, Gustavo Bones e Marcelo Castro representam uma família realista e seus diálogos sobre as artes, o ato teatral em si e os desejos inconscientes que perseguem o homem, o que acaba por provocar diversas tensões e desvendando distintas visões sobre a relação existente entre a vida e a arte.

Já "O Testamento de Maria", adptação do livro homônimo do jornalista e escritor Colm Tóibín, ganha apresentações na terça e quarta, às 20h, no Teatro da Santa Casa (Independência, 75). Concebida, dirigida e adaptada no Brasil por Ron Daniels, e produzida originalmente na Broadway por Scott Rudin, a história conta como Maria, no fim de sua vida, perseguida e no exílio, procura desvendar os mistérios que cercaram a crucificação do seu filho. E enquanto sua trajetória e seus sofrimentos são narrados com uma voz cheia de ternura, raiva e ironia, Maria faz questão de falar somente a verdade.

Ela encara não só a imensa crueldade dos romanos e dos anciãos judeus, como também as suas próprias angústias e hesitações. Deste modo, além de mãe, de símbolo religioso e de figura história, Maria se revela uma figura de enorme estatura moral, uma verdadeira e inesquecível mulher. Estrelado pela premiada atriz Denise Weinberg, o monólogo traz ainda no palco o músico Gregory Slivar, que assina e executa ao vivo a trilha original, transpassando ritmo à fala de Denise.