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  • 16/07/2017
  • 19:22
  • Atualização: 19:35

"Eu vejo ódio na cara das pessoas", diz Aranha

Goleiro da Ponte Preta foi pivô da exclusão do Grêmio da Copa do Brasil em 2014

Eu vejo ódio na cara das pessoas, diz Aranha   | Foto: Mauro Schaefer

Eu vejo ódio na cara das pessoas, diz Aranha | Foto: Mauro Schaefer

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  • Correio do Povo e Rádio Guaíba

O goleiro Aranha, pivô da exclusão do Grêmio da Copa do Brasil de 2014 por atos racisas, concedeu entrevista após o jogo deste domingo na Arena e revelou que se sente incomodado quando volta ao estádio do Tricolor. "Quando eu volto aqui, eu procuro ao máximo não olhar para a arquibancada, mas não dá, em algum momento você olha. Eu evito muito, mas cada vez que eu olho, eu vejo ódio nas caras das pessoas. Eles têm a certeza de que eu sou o errado, que aqui é assim que funciona. É triste porque é um clube do tamanho do Grêmio e ainda tem algumas pessoas que vem para atrapalhar o espetáculo", disse.   

Aranha comentou ainda que se sente triste ao perceber que parte da torcida aprendeu a lidar com a presença dele de outra forma. "A mudança vem das crianças, mas se o pai passa isso para os filhos, quando vai melhorar? Nunca. Agora, eu venho aqui preocupado em jogar, em não me envolver em nenhum tipo de polêmica. Não tenho nada contra o Grêmio, mas se eu cometer um crime, eu vou pagar. As pessoas mudaram o termo, porque estão espertas e aprenderam a lidar com a situação. É triste", finalisou. 

Ao ser questionado sobre as palavras de Aranha, o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, se mostrou decepcionado com a situação. "Quando o Aranha diz isso, ele revive tudo aquilo. O episódio para nós estava encerrado, mas ele conseguiu manter o assunto vivo e por isso ele tem uma certa reserva, uma certa rejeição, quando ele vem aqui", argumentou. 

Para Bolzan, a exclusão do Grêmio da Copa do Brasil de 2014 marcou o torcedor. "Outros episódios semelhantes ocorreram e não tiveram a mesma repercussão, nem tampouco as mesmas consequências. Não podemos apagar isso da memória do torcedor, que tem as suas mágoas, se dói pelo clube como um dirigente. Apagar da memória aquele fato não dá, até porque aquilo foi encenação. E aquilo teve um clamor público de tal ordem que levou o Grêmio à condenação", frisou. 

Bolzan admitiu que o Grêmio trabalhou de forma preventiva para evitar novos episódios semelhantes ao que ocorreu em 2014 fossem registrados neste domingo. "O nosso departamento de torcida conversou com as torcidas organizadas e pedimos para que não houvesse manifestações e nem o cântico que tradicionalmente se canta. Fizemos o pedido e fomos atendidos, tanto que não houve nenhuma ocorrência", completou.