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  • 12/02/2018
  • 23:19
  • Atualização: 23:28

Time conjunto de hóquei das Coreias faz história e já tem pedidos de Nobel da Paz

Jogadoras perderam duas partidas, mas recebem apoio total nos Jogos de Inverno

Jogadoras perderam duas partidas, mas recebem apoio total nos Jogos de Inverno | Foto: Ed Jones / AFP / CP

Jogadoras perderam duas partidas, mas recebem apoio total nos Jogos de Inverno | Foto: Ed Jones / AFP / CP

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A seleção de hóquei no gelo formada por jogadoras norte e sul-coreanas perdeu nesta terça-feira novamente por 8 a 0 nos Jogos Olímpicos de Pyeongchang. O placar elástico da partida contra a Suécia, no entanto, ficou em segundo plano mais uma vez. Assim como já havia ocorrido na estreia, quando a equipe perdeu para a Suíça, a partida tornou-se o centro das atenções por transpor a barreira do esporte e ser ponto central na tentativa de renovação diplomática entre as duas Coreias, tecnicamente ainda em guerra após o armistício de 1953.

Nesta terça, por exemplo, apesar da derrota avassaladora para a Suécia, o clima era festivo na arena do hóquei no gelo em Gangneung. Entre os cantos da torcida, o que mais chamou atenção foi o de “nós somos um”. O time é formado por 23 atletas sul-coreanas e 12 norte-coreanas.

Uma prova de que a equipe conjunta de hóquei no gelo da Coreia do Norte e da Coreia do Sul não se limita apenas ao esporte é que uma importante integrante do conselho executivo do Comitê Olímpico Internacional (COI) sugeriu no domingo que o time seja nomeado para o Prêmio Nobel da Paz. “Será algo para reconhecer o sacrifício que fizeram para ajustar suas competições”, disse a americana Angela Ruggiero, quatro vezes campeã mundial de hóquei no gelo e medalha de ouro olímpica. “Como alguém que competiu em quatro Olimpíadas e sabe que isso não é sobre você, sua equipe ou seu país, eu vi o poder do que foi realizado”, disse.

Outra demonstração de que o placar do jogo pouco importava foi dada por Sarah Murray, treinadora da equipe formada por jogadoras norte e sul-coreanas. “É uma experiência de aprendizagem. Nunca estivemos em uma Olimpíada antes, nunca jogamos contra equipes de alto nível. Então, cada vez que perdemos é apenas um possibilidade de melhorar”, disse.

Essa é a primeira vez que uma equipe “intercoreana” compete em Jogos Olímpicos. Na quinta-feira, o time enfrentará o Japão. Na avaliação de Kim Sung-han, ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul entre 2012 e 2013, a vizinha do Norte já desponta como favorita a ganhar a medalha mais importante dos Jogos Olímpicos de Inverno: o ouro diplomático. “A Coreia do Norte parece que vai ganhar esse ouro. Sua delegação e atletas estão recebendo todos os holofotes”, disse.

Especialistas em política externa, no entanto, alertam para o fato de que o regime do líder norte-coreano Kim Jong-un estar obtendo reconhecimento internacional e legitimidade sem fazer concessões ou desistir de suas armas nucleares. A Coreia do Norte enviou 22 atletas e uma torcida com 230 membros para os Jogos de Pyeongchang.

Kim Yo-jong, irmã de Kim Jong-un, acompanhou por três dias a delegação norte-coreana nos Jogos e no sábado se reuniu em Seul com o presidente sul-coreano Moon Jae-in. Ela aproveitou o encontro para convidar Moon Jae-in para se reunir com Kim Jong-un em Pyongyang “o mais breve possível”. Até o momento, aconteceram apenas dois encontros entre os líderes das Coreias; ambos em Pyongyang nos anos 2000 e 2007 envolvendo o falecido líder e pai de Kim Jong-un, Kim Jong-il, e os ex-presidentes do Sul Kim Dae-jung e Roh Tae-woo.