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  • 21/12/2017
  • 08:17
  • Atualização: 08:30

Dirigentes de clubes olímpicos formam associação e querem espaço no COB

Atletas insistem que faltam políticas de incentivo ao esporte no Brasil

Dirigentes de clubes olímpicos formam associação e querem espaço no COB  | Foto: Marcelo Pereira / Exemplus / COB / CP

Dirigentes de clubes olímpicos formam associação e querem espaço no COB | Foto: Marcelo Pereira / Exemplus / COB / CP

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Insatisfeitos com o que consideram falta de representatividade no Comitê Olímpico do Brasil (COB), alguns dos principais clubes do País estão se unindo para formar uma associação e buscar mais espaço nas decisões ligadas ao esporte de alto rendimento. A intenção é garantir pelo menos duas cadeiras no novo Conselho de Administração criado pelo COB e participar diretamente da divisão dos recursos da Lei Agnelo-Piva, até hoje feita exclusivamente pelo comitê. O texto do novo estatuto, porém, deve dificultar o acesso às duas vagas.

Apesar de garantirem que não buscam uma "atitude beligerante", dirigentes dos clubes exigem maior participação e afirmam que o Brasil "tem confederação rica e clube tendo de mandar atletas embora".

Na terça-feira, representantes de cinco clubes se reuniram na sede do Flamengo, na Gávea, no Rio, para anunciar a criação da nova associação - ainda sem nome e lideranças definidas. No total, o grupo já conta com dez entidades e diz que está aberto "a todos os clubes que trabalham com atletas olímpicos".

Eles exigem as duas vagas no Conselho de Administração do COB destinadas a "membros independentes" - são 15 assentos no total -, e, a partir disso, participar diretamente das decisões do comitê, principalmente nas que dizem respeito à destinação dos recursos públicos.

O problema é que, pela redação do novo estatuto, dirigentes ligados a clubes não podem ocupar as vagas destinadas a membros independentes. "O parágrafo 6.º do Artigo 40 prevê: 'Para fins de definição, considera-se independente aquele que não mantém ou manteve nos últimos 2 (dois) anos qualquer vínculo econômico ou jurídico com entidades do Sistema Nacional do Desporto, bem como seus parentes, afins ou consanguíneos, até o segundo grau'", informou o COB, em nota enviada ao Estado.

O conselho foi criado recentemente, com a reforma do estatuto do COB. O documento começou a ser revisado em setembro e foi aprovado definitivamente na quarta-feira da semana passada. O novo estatuto foi elaborado em 40 dias, prazo considerado exíguo pelos clubes. Eles alegam ainda falta de diálogo.

"Eu não fui convidado, nem ninguém nesta mesa foi convidado, para conversar sobre o estatuto", afirmou Alexandre Póvoa, vice-presidente de Esportes Olímpicos do Flamengo. Ao lado dele estavam representantes do Pinheiros e da Hebraica (ambos de São Paulo), do Grêmio Náutico União (RS) e do Minas Tênis Clube (MG).

Os dirigentes negaram que o interesse esteja ligado à destinação de recursos, mas deixaram claro que querem participar da discussão sobre o destino dos recursos da Lei Agnelo-Piva, principal fonte de financiamento do esporte olímpico nacional. Em outubro, já sob a presidência de Paulo Wanderley Teixeira, o COB anunciou que repassará R$ 95 milhões a 34 confederações esportivas no próximo ano.

"Queremos discutir (a divisão dos recursos). Não no intuito de ter mais dinheiro para o clube, mas para garantir que o dinheiro chegue ao atleta", disse Póvoa. O dirigente diz que são os clubes os grandes responsáveis pelos competidores. "Com todo respeito às confederações e federações, mas confederação não forma ninguém. Quem forma atleta é clube", sustentou. "O que não pode é fazer com que o dinheiro encalhe na confederação, no COB, ter confederação rica e clube tendo de mandar atletas embora." Alexandre Póvoa também mandou um recado aos atletas. "Eles têm de não só exercer o papel deles em todas as comissões, o que é importante, como também entender que clube é mais importante que confederação", sustentou. "Muito atleta não entende isso. Por uma questão de interesse pessoal, prefere estar bem com a confederação do que estar com o clube."

Críticas

Para os representantes dos clubes, o Brasil "perdeu o foco" na gestão esportiva. "A falta de uma política nacional de esportes é mais do que evidente. Nunca tivemos uma política de esporte, sempre tivemos política de governo. Infelizmente a gente está vendo isso, não só na área de esporte, mas em todas", considerou Sergio Bruno Zech Coelho, presidente do Conselho Deliberativo do Minas Tênis Clube. "Entre os últimos ministros de Esporte que passaram por aquela pasta, não sei se algum deles botou algum calção na vida para fazer esporte. E é difícil a gente defender metas ou políticas se você não tem um conceito do que é importante."

Paulo Prado, vice-presidente de Esportes do Grêmio Náutico União, foi mais longe. "O sistema nacional de esporte, hoje, principalmente o esporte olímpico, está falido, ruiu", afirmou. "Esse sistema é corrupto, destrutivo. Não funciona mais." Apesar das críticas, dificilmente o COB irá ceder no curto prazo. "Um dos avanços recentes significativos do COB é a possibilidade de revisão de seu estatuto a cada dois anos. Assim, as reivindicações que venham a ser feitas pelos clubes, através do Comitê Brasileiro de Clubes - outra associação, que congrega inclusive clubes não voltados ao esporte de alto rendimento -, poderão ser analisadas em 2019", informou o comitê.


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