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  • 29/12/2016
  • 10:17
  • Atualização: 21:01

Governo tem se concentrado na despesa ao invés de pensar em receita, diz diretor do Sindfisco

Christian de Azevedo defende corte de gastos que não atinjam apenas funcionalismo público

Christian de Azevedo defende corte de gastos que não atinjam apenas funcionalismo público  | Foto: Facebook / Reprodução / CP

Christian de Azevedo defende corte de gastos que não atinjam apenas funcionalismo público | Foto: Facebook / Reprodução / CP

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  • Correio do Povo

O diretor de comunicação do Sindicato dos Servidores Públicos da Administração Tributária do Rio Grande do Sul (Sindfisco-RS), Christian de Azevedo, afirmou nesta quinta-feira, em entrevista à Rádio Guaíba, que, ao contrário de gestões anteriores, o atual governo não tem se concentrado em obter receitas para tirar o Estado da crise. O foco, segundo ele, tem sido apenas na despesa.

"Acho que esta é a principal diferença para outros governos. Eu não atribuiria 100% da crise à questão econômica porque existem soluções que não estão sendo tomadas pela atual administração. Em termos de sonegação, por exemplo, muito falam em R$ 7 bilhões ao ano no Rio Grande do Sul, mas este número é um exagero. Uma estimativa conservadora indica que R$ 500 milhões ao ano poderiam ser arrecadados através de maiores investimentos na Receita Estadual visando ao combate à sonegação", afirmou Azevedo.

Apesar de afirmar que o Estado hoje não olha para as possibilidades de receita, Azevedo defende o corte de gastos que não esteja diretamente ligado ao funcionalismo. "O governo tem preferido fazer o corte em cima dos servidores, mas nós temos um estudo envolvendo o cruzamento de notas fiscais eletrônicas. Fizemos uma estimativa e chegamos à conclusão de que seria possível a economia de R$ 1,5 bilhão. Caso fosse ampliada a obrigatoriedade de emissão da nota fiscal eletrônica para consumidor, o Estado poderia arrecadar mais R$ 800 milhões anuais em substituição tributária, que significa cobrar o imposto antecipadamente", explicou.  

Guerra fiscal 

Ao falar da guerra fiscal, Azevedo argumentou que isso ocorre num contexto federativo e indicou que o pacto que norteia o País precisa ser revisto. "Quem se beneficia com isso (guerra fiscal)? Os grandes empresários. Os estados têm ganho temporário e usam isso como uma espécie de defesa. Na realidade, ele não não trabalha para ganhar e sim para não perder, só que, no médio ou longo prazo, todos acabam perdendo. A nossa proposta é transformar algumas isenções do ICMS em reduções de base de cálculo para 5%, com empresas dando uma parcela de contribuição para o Rio Grande do Sul sair da crise. Isso daria em torno de R$ 300 milhões anuais a mais em arrecadação", observou.