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  • 13/11/2017
  • 14:49
  • Atualização: 15:05

Acordo entre Mercosul e UE deve ser efetivado até o final do ano

Ministro da Indústria e Comércio Exterior, Marcos Pereira, disse que Brasil tem se empenhado na negociação

Acordo entre Mercosul e UE deve ser efetivado até o final do ano | Foto: Guilherme Testa

Acordo entre Mercosul e UE deve ser efetivado até o final do ano | Foto: Guilherme Testa

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  • Mauren Xavier

Com o Teatro do Sesi completamente lotado, autoridades brasileiras e alemãs defenderam, na manhã desta segunda-feira, que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia (UE) seja efetivado ainda neste ano. A parceria, que facilitará as relações comerciais entre os dois blocos econômicos, está há 17 anos em discussões, mas ainda sem definição. Inclusive a temática de parceria e cooperação permeou os discursos das autoridades, que marcaram presença na abertura do 35º Encontro Econômico Brasil-Alemanha (EEBA 2017), na Fiergs, em Porto Alegre. O encontro, que tem programação até terça-feira, é realizado pela Confederação Nacional das Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias da Alemanha (BDI, na sigla alemã).

Segundo o ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Pereira, esse é um momento único das negociações. “O Brasil e o Mercosul já apresentaram o que é possível fazer, dentro do que está sendo pedido pela UE, que é reduzir o prazo de desgravação tarifária e diminuir as taxas alfandegárias. Agora estamos aguardando a reação para uma nova próxima reunião”, disse. A nova rodada de encontro se dará no início de dezembro em Bruxelas.

Marcos Pereira ressaltou que, durante encontro reservado, o vice-ministro de Assuntos Econômicos e Energia da Alemanha, Mathias Maching, destacou que seria “um sinal muito ruim para o mundo se as negociações fracassassem”. O posicionamento da autoridade alemã está relacionado ao atual contexto internacional, em que o Reino Unido sai da União Europeia e do discurso do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de protecionismo.

Basicamente os pontos atuais de negociações se referem ao pedido da UE de redução da desgravação, que na prática, seria diminuir o cronograma de redução das tarifas de importação. Por outro lado, o governo brasileiro apontou questões envolvendo a posição europeia sobre cotas para a carne bovina e o etanol. “Estamos empenhados e otimistas para que seja anunciado ainda neste ano”, afirmou Marcos Pereira.

Em seu discurso, o secretário-geral das Relações Exteriores, Marcos Galvão, também enalteceu o acordo entre os blocos. “São desafios que deverão se superados. O acordo será benéfico e nunca estivemos tão próximos de fechar o negócio, o que seria um marco, no contexto complexo da economia internacional”, enfatizou.

Nesta mesma linha, se manifestaram o presidente da CNI, Robson Braga de Andrade, e o presidente para América Latina da Federação das Indústrias Alemãs (BDI), Andreas Renschler. Para o presidente da CNI, as negociações evoluíram e defendeu a atuação brasileira. “Estamos encaminhando para a meta acordada para concluir um acordo político ainda neste ano. É muito importante que Brasil e Alemanha, as maiores economias de cada bloco, atuem para que um bom termo seja atingido até dezembro”. Sobre a realização do encontro, considerou como uma prova da sólida relação entre as duas nações. “O EEBA é construtor da agenda bilateral empresarial e catalizador de frutos de comércio e de investimentos entre os países”.

Andreas Renschler defendeu a parceria, diante das tendências de enfraquecimento de acordos de livre comércio. “O livre comércio (entre os dois blocos) não pode ficar parados mais quase duas décadas. Precisamos todos nos mexer”, enfatizou.