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Porto Alegre, terça-feira, 18 de Junho de 2019

  • 21/03/2018
  • 13:15
  • Atualização: 14:34

Desenvolvimento socioeconômico do RS registra queda pela 1ª vez em nove anos

FEE apontou redução de 0,8% no índice em 2015

Estatístico Rafael Bernardini, coordenador do Núcleo de Indicadores Sociais da FEE | Foto: Guilherme Testa

Estatístico Rafael Bernardini, coordenador do Núcleo de Indicadores Sociais da FEE | Foto: Guilherme Testa

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  • Henrique Massaro

Pela primeira vez na série histórica estadual iniciada em 2007, o Índice de Desenvolvimento Socioeconômico do Rio Grande do Sul (Idese) registrou queda. Os dados, divulgados pela Fundação de Economia e Estatística (FEE), em Porto Alegre, mostraram redução de 0,8% em 2015. Trata-se do indicador mais atualizado, já que a análise depende de dados do PIB per capita divulgados somente em dezembro do ano passado. O estudo apresentado na manhã desta quarta-feira também mostra números específicos dos municípios gaúchos.

O estatístico Rafael Bernardini, coordenador do Núcleo de Indicadores Sociais da FEE, destacou que o desempenho reflete um período de recessão iniciado em 2014 e reforçado em 2015. Segundo ele, os resultados do Idese foram diretamente impactados por isso e questões que se referem à renda, que caiu 3,1%. No que diz respeito à gerada, que basicamente é o PIB per capita nos municípios, foi registrada queda de 2,2%. Na apropriada – os salários – a redução foi de 4%. O índice do bloco renda como um todo foi de 0,739, o que o deixou em patamar semelhante ao de 2012. Apesar disso, conforme Bernardini, o Idese ficou categorizado como médio desenvolvimento de acordo com a ONU, que classifica como baixo desenvolvimento os índices abaixo de 0,5, médio os entre 0,5 e 0,8 e alto quando fica acima de 0,8.

Em saúde, os indicadores demonstraram certa estabilidade. Composta por três sub-blocos – materna infantil, condições gerais e longevidade – a saúde teve, na verdade, singelo crescimento, de 0,813 para 0,817, ficando, portanto, com alto desenvolvimento. De acordo com o estatístico, os índices variam de 0 a 1 tendo como referência para o menor número uma região extremamente subdesenvolvida e, para o maior, um local bastante desenvolvido no mundo.

A educação, por sua vez, à exceção da matrícula no ensino médio, teve crescimento nos outros três pilares: matrícula na pré-escola, Prova Brasil do 5º e 9º anos, e escolaridade adulta. A taxa brutal de atendimento do Ensino Médio teve um retrocesso considerado grande, de 76,5% para 73,1%, mas, devido aos outros bons resultados, não fez com que, de maneira geral, o bloco fosse abalado, passando de 0,697 para 0,698.

Municípios

Os dados também mostraram que o município de Carlos Barbosa permanece com os indicadores mais desenvolvidos, com 0,879 em 2015. Em seguida, a lista é composta por Água Santa, Nova Araçá, Aratiba, Nova Bassano, Veranópolis, Ipiranga do Sul, Garibaldi, Paraí, Bozano. “Confirma uma tese antiga de que as regiões mais desenvolvidas do Estado estão naquele ‘u’ que temos entre Serra e região do Planalto”, comentou Bernardini.

Trata-se, no entanto, de municípios pequenos e a comparação, segundo ele, é feito de acordo com os tamanhos. Por isso, são listados separadamente os índices das 20 cidades gaúchas com mais de 100 mil habitantes. Entre elas, estiveram com os índices acime de 0,8 Bento Gonçalves (0,831), Porto Alegre (0,816), Erechim (0,811), Santa Cruz do Sul (0,809) e Caxias do Sul (0,801). Em último lugar ficou Alvorada, com índice de (0,571).