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  • 10/03/2017
  • 15:23
  • Atualização: 17:17

Marchezan defende mudanças no ensino e rebate críticas de falta de diálogo

Prefeito debateu alterações com Juremir Machado em programa da Rádio Guaíba

Nelson Marchezan Júnior e Juremir Machado da Silva discutem as mudanças na educação da Capital | Foto: Ricardo Giusti

Nelson Marchezan Júnior e Juremir Machado da Silva discutem as mudanças na educação da Capital | Foto: Ricardo Giusti

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De um lado, o prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior, do outro, o jornalista, colunista do Correio do Povo e apresentador do Esfera Pública, Juremir Machado da Silva. No centro, a polêmica sobre as mudanças na educação municipal. O assunto dominou a participação de Marchezan no programa da Rádio Guaíba desta sexta-feira, apresentado também pela jornalista e colunista de política do Correio do Povo, Taline Opptiz, que foi, de certa maneira, a mediadora do debate entre Marchezan e Juremir.

Juremir questionou o prefeito a respeito das medidas que alteram a rotina nas escolas terem sido tomadas sem consultar a comunidade escolar. No mesmo instante, Marchezan interrompeu o apresentador para dizer que, pelo contrário, a falta de diálogo ocorreu por parte de alguns professores, diretores de escolas e do sindicato.

"Eles foram chamados para dialogar. No começo do ano nós chamamos cerca de 200 pessoas entre professores, diretores e do sindicato para explicar as mudanças. Só que eles, por falta de argumento, não querem ouvir pois, caso contrário, vão ver que estão equivocados em ir contra as alterações", enfatizou Marchezan.

Juremir retrucou. Insistiu no ponto de que a categoria (professores) não foi chamada, que o secretário municipal de Educação (Adriano Naves de Brito), apresentou as alterações prontas e de que não houve o debate coletivo da educação.

Marchezan rebateu. “O que o Juremir quer são mais de 50 mil alunos, 4 mil professores, sem contar os pais, no debate. Bom, foi esse tipo de ação que levou a educação a este ponto”, disse.

O apresentador disse que pesquisou o assunto, consultou professores e, segundo a categoria, as mudanças alteram diversos pontos na rotina da escola. Ele elencou o fato de que, agora, os professores precisam fazer uma reunião pedagógica semanal num determinado horário. E questionam, neste caso, quem ficaria cuidando dos alunos durante este período. "Eles, então, teriam que entrar mais cedo?", questionou.  

Juremir apresentou ainda uma dúvida sobre o horário do almoço. A categoria não concorda que a refeição aconteça ao meio-dia, pois neste horário não tem mais monitores especializados e professores para cuidar. Segundo os professores hoje não tem mão de obra suficiente para dar conta, colocou Juremir.

O prefeito pediu a palavra para explicar as mudanças e pontualmente rebater as críticas dos professores. Voltou a bater na tecla de que foi o sindicato que impediu o debate, e logo em seguida começou a apresentar detalhadamente as mudanças.

“São 56 escolas afetadas que terão 15 minutos de aula a mais, isso numa semana, dá 3h30min a mais de contato entre aluno e professor. Nós entendemos que o professor regular é tão importante que tem que ficar o máximo de tempo com o aluno. Não estamos tirando o tempo da aula de preparação, estamos distribuindo 15 minutos a mais de aula dentro das 20 horas semanais, só isso. Isso representa três minutos a mais de sala de aula para cada professor que está em aula”, defendeu.

Sobre a falta de professores na hora do almoço, Marchezan disse que não é verdade. “Todas as escolas, como regra, tem professores suficientes para dar atenção necessária a todas as etapas da escola: merenda, aula, recreio e almoço. O almoço deve acontecer entre meio-dia e 13h e não mais às 10h, como acontecia uma vez por semana, com os alunos saindo mais cedo. Sobre a reunião, o prefeito destacou que alguns professores irão para a reunião e os alunos ficarão sob os cuidados de outros, é simples”, concluiu.

Juremir voltou a criticar a posição do secretário. Chamou de autoritária, que foi tomada de cima para baixo sem ouvir uma área em que se discute tudo. “Eu falo isso, pois conheço o assunto”.

Marchezan saiu em defesa do seu governo. “Olha, foi uma decisão corajosa, a favor do aluno e portanto eu quero aqui parabenizar o meu secretário e a equipe dele. Nós estamos preocupados com o aluno”, destacou.

Juremir, ao final, lembrou que a discussão faz parte, enalteceu a relação sempre franca entre ambos “Já brigamos outras vezes, mas sei que o senhor quer acertar,” encerrou.