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Porto Alegre, quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

  • 17/09/2018
  • 19:19
  • Atualização: 20:43

Ex-professores denunciam atrasos de pagamentos no IPA

Instituição também não estava recolhendo FGTS, conforme grupo de docentes

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  • Lou Cardoso

Um grupo de 26 ex-professores demitidos do Centro Universitário Metodista (IPA) denunciaram que estão com pagamentos relativos à rescisão atrasados. Conforme uma carta escrita pelos docentes, eles reclamam que os direitos trabalhistas não foram atendidos pela universidade, assim como o não recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). “Até hoje, dia 12 de setembro, passados quase dois meses da rescisão do contrato de trabalho, nenhum dos professores desligados recebeu qualquer valor da instituição relativamente as suas verbas rescisórias”, diz o documento.

Outra reclamação do grupo é em relação ao acordo proposto do Sindicato dos Professores do Ensino Privado do Rio Grande do Sul (Sinpro/RS). De acordo com os profissionais, o grupo aceitou um acordo de divisão das verbas rescisórias e FGTS atrasados em até 12 parcelas, recebendo a multa do FGTS pela demissão sem justa causa com uma cláusula de vencimento do parcelamento. “O acordo coletivo não conta com uma cláusula de vencimento antecipado, já que o Sinpro garantiu que a instituição vinha cumprindo seus acordos”, aponta a carta.

De acordo com a professora e diretora do Sinpro/RS, Margot Andras, o acordo foi feito baseado em um mesmo tratado feito com os professores demitidos do Colégio Americano no início do ano. Em que após a demissão dos mesmos, eles começaram a receber os valores da rescisão. "Os professores do Colégio Americano estavam recebendo direito e mostramos que fazendo o acordo para os professores do IPA, a chance de receber era maior", disse Margot.

Em contato com a gestão a Rede Metodista, localizado em São Paulo, Margot salientou que a instituição argumenta falta de dinheiro para pagar os direitos trabalhistas do grupo. "É um descaso. É uma situação que tem sido empurrada com a barriga. Eles dizem que vão resolver e não resolvem. Chegam aqui para reunião e não tem nada para falar. É um erro atrás do outro. Isso tem criado um problema muito sério aos professores. A gente não faria o acordo com Ministério Público se eles não regulassem a situação dos professores", acrescentou.

Conforme os professores, antes da demissão do grupo em julho, a universidade já atrasava o pagamento dos salários havia um ano, o que provocou em duas greves dos funcionários no primeiro semestre – uma em abril e outra em maio. Além disso, a instituição informou que a demissão – que para alguns profissionais foi por telegrama – ocorreu por desatendimento ao chamado para uma reunião, que, segundo os professores, não ocorreu.

Os professores lamentam que os direitos garantidos pela Lei não são atendidos e que a única saída seria o “Judiciário, que cada vez mais abarrotado, agenda as audiências iniciais para daqui um ano”. “Os direitos só existem no papel”, encerra a carta.

A reportagem do Correio do Povo tenta um posicionamento do IPA desde a quinta-feira, dia 13 de setembro, porém ainda não teve retorno.