Porto Alegre

20ºC

Ver a previsão completa

Porto Alegre, segunda-feira, 18 de Dezembro de 2017

  • 07/12/2017
  • 12:57
  • Atualização: 14:00

"Tive que pular o muro para resgatar meus sobrinhos", desabafa moradora de Viamão

Muitos moradores tiveram casas invadidas por água devido à chuva que alcançou índices históricos

Casa ficou totalmente alagada devido à chuva desta quinta-feira | Foto: Gessica Bernasquin / Divulgação / CP

Casa ficou totalmente alagada devido à chuva desta quinta-feira | Foto: Gessica Bernasquin / Divulgação / CP

  • Comentários
  • Raphaela Suzin

Era ainda madrugada quando a água invadiu a casa da família Santos, no bairro Augusta, em Viamão, na Região Metropolitana. O alagamento se deu por causa do transbordamento do arroio Feijó - que passa por revitalização há mais de um ano. Por isso, além da água, a casa ficou tomada por lama. 

Em poucos minutos, a casa na rua Dário Gonçalves Molho ficou alagada. Para se proteger, o pequeno Ângelo, de apenas quatro anos, precisou subir em cima da pia da cozinha. Rapidamente, a água alcançou os móveis e a geladeira ficou boiando dentro da residência. 

No local, moram a mãe do menino, mais três crianças - de 12, 11 e 9 -, uma idosa e dois adultos. "Perderam tudo", resumiu Gessica Marcela dos Santos Bernasquin, de 23 anos, tia das crianças. "Nosso sentimento é de raiva, de dor por perder tudo. Entra prefeito, sai prefeito, e a situação é sempre a mesma", desabafou.

Com a casa alagada, os moradores não conseguiam sair do terreno. Gessica conta que o botijão de gás ficou boiando e bloqueou o portão do pátio da casa. "Meus sobrinhos ficaram ilhados. Eles não conseguiam sair, pois os botijão trancou o portão. Com a ajuda de um vizinho, eu pulei o muro e consegui tirar eles de lá", desabafou.

Com a trégua da chuva, por volta das 13h, a família aproveitou para limpar a casa. Não houve nem tempo para lamentar as perdas, pois precisavam deixar tudo arrumado, para retornar ao local. Além disso, a prefeitura ainda não havia passado pela rua, para auxiliar os moradores. "Nem sinal da prefeitura. Estamos fazendo tudo sozinhos", desabafou Gessica.

O prefeito da cidade André Pacheco disse que cerca de 200 pessoas de todas as secretarias estão trabalhando para minimizar os estragos. Há ainda caminhões e retroescavadeiras que auxiliam no serviço. Além do bairro Augusta, as regiões de Estalagem, Gaúcha, São Lucas, Santo Onofre e Jardim Universitário também tiveram grandes prejuízos.

Em apenas cinco horas, choveu mais do que a média histórica do mês de dezembro em Viamão, de acordo com a MetSul Meteorologia. Às 10h30min desta quinta-feira, a precipitação já havia acumulado 110 milímetros. A expectativa é de que a chuva diminua ao longo da tarde.

Doações

Segundo a prefeitura, muitas famílias precisam de colchões, alimentos, roupas e fraldas descartáveis. Quem quiser doar, pode entregar os materiais nos Centros de Referência de Assistência Social das regiões. Já os colchões podem ser levados para a Fábrica da Cidadania, na ERS 040, parada 36, atrás da UPA.