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Porto Alegre, terça-feira, 20 de Agosto de 2019

  • 23/04/2018
  • 20:40
  • Atualização: 21:00

Demolição da ampliação do terminal do Salgado Filho está em fase final

Pelo menos R$ 34,7 milhões, o que corresponde a 19,19% dos serviços executados, foi gasto nas obras no local

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  • Jessica Hübler

A demolição de parte da estrutura que seria da ampliação do terminal de passageiros do Porto Alegre Airport (Aeroporto Internacional Salgado Filho), em Porto Alegre, está sendo finalizada. O procedimento que, conforme a Fraport, iniciou oficialmente em 22 de março deste ano, teve como objetivo desmanchar a estrutura custeada pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero).

A edificação ainda estava em concreto e começou com a Infraero, mas nunca foi concluída. Pelo menos R$ 34,7 milhões, o que corresponde a 19,19% dos serviços executados, foi gasto nas obras, que foram iniciadas em 30 de setembro de 2013. A ampliação do terminal, conforme a Infraero, foi suspensa em maio de 2016, em virtude do anúncio da concessão do Aeroporto Salgado Filho à iniciativa privada.

A Infraero informou que, ao o encaminhar o processo de rescisão do contrato, atendeu a recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU), “que orientou que todos os contratos de obras em aeroportos a serem concedidos deveriam ser encerrados”. O investimento total da ampliação do terminal de passageiros seria de R$ 180 milhões.

A empresa alemã Fraport, que agora é responsável pela administração, informou que a estrutura foi derrubada por questões estruturais e garantiu que não havia possibilidade de aproveitar o que foi feito pela Infraero. Assim que a demolição for finalizada, o consórcio responsável pelas obras HTB, Tedesco e Barbosa Mello deve dar início às obras da nova estrutura de ampliação do terminal.

Quando o início das obras foi oficialmente divulgado, o presidente da HTB, Detlef Dralle, informou que o custo para adaptar a estrutura existente ao padrão da Fraport “seria muito elevado”. “Assim, se tornou mais vantajoso essa demolição”, explicou.

A empresa alemã assinou contrato com o consórcio responsável pelos trabalhos em fevereiro deste ano. Quando os documentos foram assinados, a Fraport informou que as obras começariam em março e cumpriu com o que foi dito. Além da ampliação do terminal 1, que é uma das prioridades entre as obras de melhoria do Aeroporto Salgado Filho, a primeira etapa das atividades, onde serão investidos R$ 1,5 bilhão, engloba a ampliação da pista em 920 metros.

A expansão pista de pousos e decolagens, considerada fundamental, é uma das contrapartidas da concessão, que deve seguir pelos próximos 25 anos. O grupo pretende investir R$ 600 milhões no terminal até 2021. A Fraport administra 30 aeroportos em todo o mundo.

Preás nas proximidades do aeroporto

Uma presença no mínimo curiosa vem sendo percebida nos arredores do Aeroporto Internacional Salgado Filho. Dezenas de roedores têm sido vistos em um canteiro, nas proximidades do estacionamento do Terminal 1. Atrás das paredes instaladas no canteiro, está ocorrendo a demolição da estrutura do terminal e também a construção de um canteiro de obras para as demais melhorias que serão realizadas no aeroporto.

Até o momento não há confirmação sobre a causa da presença significativa dos roedores Cavia aperea, também chamados de preás, mas conforme a bióloga Soraya Ribeiro, chefe da equipe de Controle Agrossilvopastoril e Vida Silvestre da Secretaria Municipal do Meio Ambiente e da Sustentabilidade (Smams), o animal silvestre está presente em todas as regiões do Brasil.

Quem passa pelo local pode pensar que são ratos, mas existem diferenças entre os dois animais. O preá, segundo ela, possui hábitos diurnos e é visto frequentemente em regiões úmidas e de bastante presença de vegetação, como parques. Já o rato é um animal noturno, encontrado geralmente em locais onde há disponibilidade de alimento.

Diferente dos ratos, que são capazes de comer qualquer alimento que sirva de fonte de energia para os homens, o preá é herbívoro, ou seja, se alimenta somente de vegetais. Outra diferença entre os dois animais é a questão da cauda. Geralmente ratos possuem cauda longa, enquanto os preás não possuem cauda.

Sobre a presença curiosa dos preás, Soraya diz que não é possível afirmar que haja uma relação direta com as obras no aeroporto. “Só é possível afirmar isto avaliando o local”, destacou. De acordo com Soraya, os preás também são amplamente conhecidos por frequentadores do Parque Germânia, localizado nas proximidades do Shopping Iguatemi, além daqueles que visitam ou moram na zona Sul da cidade, por conta da proximidade com a Orla do Guaíba. A bióloga garantiu que os animais não oferecem risco para quem passa pelo local pois, além de não serem agressivos, são extremamente ariscos e não devem aceitar a aproximação de humanos.


Foto: Mauro Schaefer