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Porto Alegre, sábado, 17 de Agosto de 2019

  • 25/09/2018
  • 10:19
  • Atualização: 12:55

Greve geral na Argentina afeta voos no Salgado Filho em Porto Alegre

Governo Macri enfrenta a quarta paralisação em massa

Greve geral na Argentina afeta voos no Salgado Filho em Porto Alegre  | Foto: Damian Dopacio / NOTICIAS ARGENTINAS / AFP / CP

Greve geral na Argentina afeta voos no Salgado Filho em Porto Alegre | Foto: Damian Dopacio / NOTICIAS ARGENTINAS / AFP / CP

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  • Correio do Povo, R7 e AE

A greve geral na Argentina, deflagrada nesta terça-feira, começa a provocar consequências em regiões vizinhas. Em Porto Alegre, no Aeroporto Internacional Salgado Filho, ao menos dois voos foram cancelados hoje, ambos da Aerolíneas Argentinas e com destino a Buenos Aires. O primeiro tinha embarque agendado para as 12h20min e o outro estava marcado para decolar às 20h25min. 

O mesmo transtorno já foi registrado em outros aeroportos do Brasil. Em São Paulo, no terminal de Guarulhos, são 38 voos cancelados até o momento, segundo informações do site R7, sendo 20 de partidas e outros 18 de chegadas. 

De acordo com a Latam, 187 voos dentro e para fora do país foram cancelados. A companhia informou que os passageiros podem solicitar o reembolso do valor do bilhete adquirido, alterar a rota da viagem, ou pedir a reprogramação do voo sem custos.

Todos os voos operados pela Gol também foram cancelados nesta terça. Os passageiros da companhia impactados por estes cancelamentos poderão remarcar suas viagens sem a cobrança de taxas e de acordo com a disponibilidade. Ou ainda solicitar reembolso ou crédito integral de suas passagens, pelos canais de atendimento. A Gol informa que está trabalhando para manter sua operação dentro da normalidade e ressalta que segue os mais rigorosos padrões de segurança.

Com voos entre os dois países, a companhia argentina Aerolíneas informou que os voos desta terça foram adiantados e realizados na segunda-feira. Além disso, a empresa informou que aqueles passageiros que desejarem reprogramar seus voos, até dentro dos 7 dias seguintes a greve, poderão fazê-lo sem restrições e de acordo a disponibilidade de lugares. Os passageiros que desejem reembolsar seus tickets, poderão fazer por meio do mesmo canal que utilizaram para a compra.

O Procon-SP informa que, ainda que as companhias aéreas não sejam as causadoras dos transtornos, têm o dever de prestar assistência ao consumidor para minimizar os danos. Segundo a fundação, em caso de atraso ou cancelamento dos voos, o consumidor tem prioridade no próximo embarque da companhia aérea com o mesmo destino; pode ser direcionado para outra companhia sem custos; pode receber de volta a quantia paga ou, ainda, hospedar-se em hotel por conta da empresa, caso não esteja em seu local de domicílio; pode obter ressarcimento ou abatimento proporcional no caso de ocorrer algum dano material devido ao atraso como, por exemplo, perda de diárias, passeios e conexões; deve pleitear reparação junto ao judiciário se entender que o atraso causou-lhe algum dano moral (não chegou a tempo a uma reunião de trabalho, casamento etc); e deve ter acesso gratuito à alimentação, utilização de meios de comunicação e transporte.

O Procon ainda orienta o consumidor a guardar o comprovante de eventuais gastos que teve em decorrência do atraso e/ou cancelamento, como chamadas telefônicas, refeições e hospedagem. Além disso, o usuário deve procurar o responsável pela aviação civil dentro do aeroporto ou o balcão de embarque da companhia para verificar as soluções oferecidas por eles.

Se não conseguir resolver diretamente com a empresa, deve procurar o órgão de defesa do consumidor de sua cidade. Veja abaixo os Canais de Atendimento das companhias aéreas: GOL Central de Atendimento: 0300 115 2121 e 0800 704 0465 AZUL Centrais: 4003-1118 (capitais e regiões metropolitanas), 0800-887-1118 (demais localidades) e +54 11 5984-5178 LATAM Centrais: 0810-9999-526 (na Argentina), para 4002-5700 (nas capitais brasileiras) ou 0300-570- 5700 (nas demais localidades do Brasil)

Greve contra Macri 

Argentina tem um dia de greve geral de trabalhadores contra as políticas conduzidas pelo governo do presidente Mauricio Macri. Ao mesmo tempo, a administração oficial tenta renegociar nos Estados Unidos os termos do pacote de ajuda recebido do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A Central Geral dos Trabalhadores e outras entidades sindicais realizam nesta terça-feira a quarta greve geral enfrentada pelo governo Macri, que deve afetar praticamente todos os serviços públicos, o transporte público, os bancos, as escolas e aeroportos, inclusive voos internacionais, segundo a agência estatal Télam.

A Câmara Argentina de Comércio e Serviços criticou a manifestação, qualificando-a como "inoportuna", implicando "enormes perdas para a economia nacional, já golpeada pela retração da demanda, o aumento de custos de financiamento e a aceleração inflacionária".

Já líderes sindicais têm defendido a necessidade de se protestar neste momento. Chefe da CTA Autônoma, Pablo Micheli convocou os trabalhadores a fazer "todas as paralisações necessárias para que se vá este governo". Micheli e as lideranças grevistas têm criticado o acordo com o FMI e políticas oficiais como o corte de subsídios e a demissão de funcionários públicos, no âmbito do ajuste das contas públicas que Macri tenta fazer.

Acordo para conter demissões 

A CGT busca um acordo para interromper as demissões, em um quadro de desemprego e aumento na pobreza no país. A Argentina sofreu um estresse em seus mercados financeiros neste ano, sobretudo no cambial, com investidores temerosos sobre a trajetória das contas do país e a capacidade de honrar sua dívida. Nesse contexto, Macri fechou um acordo com o FMI, de 50 bilhões dólares, mas houve novos estresses no câmbio e agora o governo de Buenos Aires tenta renegociar os termos, para garantir mais segurança a fim de enfrentar a crise.

Algumas autoridades do governo estão nos EUA, para a Assembleia Geral da ONU, e aproveitam para tratar do assunto com o Fundo. Ministro da Produção e do Trabalho, Dante Sica qualificou a greve como "inoportuna" e disse que é preciso um esforço coletivo para superar a crise, segundo a Télam. Ao mesmo tempo, Macri jantou na noite de ontem na mesma mesa que a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, em Nova Iorque. Macri deve falar na tarde de hoje na Assembleia Geral da ONU.

O ministro da Fazenda argentino, Nicolás Dujovne, afirmou ontem estar convencido de que será obtido "o melhor acordo possível" com o FMI. Segundo ele, a revisão ainda não está concluída. Sica, por sua vez, afirmou que "estão sendo dados os últimos ajustes" no acordo. O ministro da Produção e do Trabalho disse que o anúncio dele está "próximo" e ajudará, junto com a apresentação do próximo orçamento, a acabar com incertezas sobre as políticas fiscal, monetária e cambial do país.