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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de Agosto de 2019

  • 15/01/2019
  • 22:36
  • Atualização: 22:48

Rã mais solitária do mundo, Romeu pode ganhar namorada e salvar espécie

Pesquisadores encontraram uma Julieta entre exemplares da espécie Sehuenca

Pesquisadores encontraram uma Julieta entre exemplares da espécie Sehuenca | Foto: GWC / Divulgação CP

Pesquisadores encontraram uma Julieta entre exemplares da espécie Sehuenca | Foto: GWC / Divulgação CP

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  • AFP

A rã Romeu da Bolívia já tem sua Julieta, após uma campanha internacional dedicada a buscar um par para esse exemplar se reproduzir e evitar a extinção da sua espécie. Uma expedição de especialistas do Museu de História Natural Alcide d'Orbigny e da organização Global Wildlife Conservation (GWC) encontrou Julieta e outros quatro exemplares, três machos e uma segunda fêmea jovem, da espécie de rã aquática de Sehuencas (Telmatobius yuracare) em uma reserva homônima no centro do país.

Julieta "foi encontrada em uma expedição em florestas nubladas da Bolívia, zona que se encontra entre os municípios de Pojo e Comarapa", disse Teresa Camacho, chefe do departamento de Herpetologia do museu. Em 2009, biólogos encontraram nesse local Romeu, um macho da mesma espécie com uma expectativa de vida de 15 anos. Por algum tempo, aparentava ser o último da espécie e, consequentemente, estaria à beira da extinção.

Mas com a chegada de Julieta, as portas para uma prole estão abertas. "Passaram-se mais de 10 anos desde que Romeu, a última rã aquática de Sehuencas conhecida, experimentou o amor, mas a sorte deste solteiro afortunado está a ponto de mudar drasticamente", relatou a GWC em um comunicado.

A namorada e seus colegas foram colocados em quarentena no Centro K'ayra do museu para que possam se aclimatar a um ambiente que reproduza as condições da natureza. "Depois disso Romeu se encontrará com sua Julieta. Também queremos garantir as condições perfeitas para seu encontro às cegas", marcado para o próximo 14 de fevereiro, dia de São Valentim, indica Camacho.

Caso o encontro não ocorra conforme o esperado, os especialistas estão avaliando outras alternativas, como recorrer à tecnologia e ao acasalamento dos outros exemplares. A GWC anunciou que também trabalhará, junto com o museu e com um laboratório da Universidade Macquarie, em Sydney, "na coleta e congelamento de espermatozoide de Romeu e de gametas (óvulos e espermatozoides) de outras rãs para testarmos a fertilização in vitro".

A falta de uma fêmea motivou, em fevereiro passado, uma campanha mundial para arrecadar fundos que financiassem expedições para encontrar novos exemplares. Cerca de US$ 25 mil foram arrecadados.