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Porto Alegre, segunda-feira, 23 de Outubro de 2017

  • 11/01/2017
  • 14:59
  • Atualização: 15:48

Acho que foi a Rússia que pirateou a eleição nos EUA, diz Trump

Futuro presidente concedeu a primeira entrevista coletiva após o pleito de novembro

Trump concedeu a primeira entrevista coletiva após o pleito de novembro | Foto: Spencer Platt / Getty Images North America / AFP

Trump concedeu a primeira entrevista coletiva após o pleito de novembro | Foto: Spencer Platt / Getty Images North America / AFP

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  • AFP

O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quarta que acredita ser a Rússia responsável por ter hackeado a eleição norte-americana. Foi a primeira vez que ele responsabilizou o país governo por Vladimir Putin pela pirataria dos servidores de campanha eleitoral democrata.

Trump concedeu a primeira entrevista coletiva após ter sido eleito em novembro. Segundo ele, o dossiê russo que teria informações comprometedoras contra sua pessoa é falso. "Sobre a pirataria, acho que foi a Rússia, mas também acho que fomos hackeados por outros países, outras pessoas", afirmou. A respeito do presidente russo, disse que será uma vantagem se Putin gostar dele, mas admitiu que não será fácil uma aliança. "Se Putin gosta do Donald Trump, considero isso uma vantagem, não um empecilho, porque temos uma relação horrível com a Rússia", explicou. 

Trump também deixou claro que passou o controle total de seus negócios para seus dois filhos, Don Jr. e Eric, para evitar qualque tipo de conflito de interesses. "Meus dois filhos, que estão aqui, Don e Eric, vão dirigir a companhia. Eles vão dirigi-la de uma maneira muito profissional. Eles não vão discutir comigo", disse, acrescentando já ter assinado os documentos de transferência dos negócios da Trump Organization.

Por fim, confidenciou que rejeitou um negócio de dois bilhões de dólares oferecido por um empresário de Dubai na semana passada, o que demonstra que ele se desvinculou de qualquer tipo de negócio para se dedicar à Casa Branca. "Na semana passada, me ofereceram US$2 bilhões para fazer um negócio em Dubai com um grande, grande homem, um grande empresário do Oriente Médio". "Eu não precisava rejeitar. Mas eu tenho uma política de não criar conflitos de interesse como presidente", destacou.

Dossiê

Os chefes da inteligência dos Estados Unidos declararam a Trump que agentes russos dizem ter informações pessoais e financeiras comprometedoras sobre ele, reunidas em memorandos que circulam por Washington e que foram divulgados na terça-feira pelos meios de comunicação. A informação foi apresentada a Trump na sexta-feira passada durante um encontro com os diretores das agências de espionagem que deveriam informá-lo sobre a suposta interferência russa da campanha eleitoral, indicou a imprensa.

A rede CNN disse que nestes relatórios são detalhados contatos que pessoas próximas a Trump teriam realizado com funcionários russos. Também são mencionadas gravações em vídeo de festas com prostitutas que o agora presidente eleito teria participado na Rússia em 2013. "Notícias falsas - uma caças às bruxas total!", reagiu na terça-feira o presidente eleito no Twitter.

Posteriormente, ele foi mais enfático em um novo tuíte. "A Rússia jamais tentou ter influência sobre mim. NÃO TENHO NADA COM A RÚSSIA - NENHUM ACORDO, NENHUM CRÉDITO, NADA DE NADA!", afirmou. "As agências de inteligência jamais deveriam permitir que essas falsas notícias 'vazem' para o público. Um último disparo contra mim. Estamos vivendo na Alemanha nazista", acrescentou.

O presidente em fim de mandato, Barack Obama, por sua vez, disse à rede NBC que "não comento sobre informações sigilosas". A autenticidade das 35 páginas de documentos - datados entre junho e dezembro de 2016 - ainda não foi confirmada por nenhuma fonte, mas detalham contatos que enviados de Trump teriam realizado na República Checa e na Rússia.

A CNN indicou que a existência dos memorandos russos foi informada por um ex-agente de inteligência britânico contratado por outros candidatos presidenciais dos Estados Unidos para fazer uma "investigação de oposição" política sobre Trump em meados do ano passado. O FBI, a polícia federal, recebeu a informação em agosto, mais de dois meses antes das eleições presidenciais de 8 de novembro, segundo a CNN.

A Rússia, por sua vez, negou nesta quarta-feira ter "informações comprometedoras" sobre o presidente eleito dos Estados Unidos. "O Kremlin não tem informações comprometedoras sobre Trump", disse à imprensa o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dimitry Peskov. "É uma falsidade total", afirmou. "A fabricação de semelhantes mentiras é uma tentativa evidente de prejudicar nossas relações bilaterais" antes da posse em 20 de janeiro de Trump, favorável a uma aproximação com Moscou, explicou Peskov. "Algumas pessoas atiçam esta histeria", acrescentou o porta-voz, que classificou este caso de "caça às bruxas". O porta-voz utilizou chegou a usar a palavra "komrpoma", expressão herdada do jargão soviético que designa informações comprometedoras sobre pessoas suscetíveis de serem submetidas a chantagens.

As revelações incendiárias ocorrem às vésperas da posse do governo de Trump, marcada para o dia 20 de janeiro. Também provocaram comoção. "Se estas alegações de coordenação entre funcionários da campanha de Trump e agentes de inteligência russos, e as alegações de que os russos comprometeram a independência do presidente eleito forem certas, isso seria realmente alarmante", disse o senador democrata Chris Coons à CNN.  

Hackers

A Rússia foi acusada pela inteligência dos Estados Unidos de ter tentado influenciar na campanha eleitoral com ataques cibernéticos com o objetivo de aumentar as chances de vitória de Trump. Segundo a inteligência, a Rússia teria hackeado os e-mails do Comitê Nacional Democrata e de outras instituições americanas com o objetivo de influenciar na eleição de 8 de novembro.

No entanto, os hackers russos não se envolveram na campanha nacional de Trump, indicou na terça-feira o diretor do FBI, James Comey. De acordo com Comey, que compareceu perante a comissão de inteligência do Senado, os russos entraram nos computadores de campanha de Trump nos âmbitos local e estatal, mas não o fizeram nacionalmente. "Não temos nenhum indício de que a campanha de Trump tenha sido hackeada" nacionalmente, indicou o diretor do FBI.

Os russos acessaram dados do Partido Republicano, mas foram contas de e-mail "que já não eram utilizadas", explicou o diretor do FBI. As informações que coletaram eram velhas e não foram divulgadas pelos russos, indicou Comey. O Kremlin também nega estas acusações. No entanto, a administração Obama, que entregará o poder a Trump em 20 de janeiro, sancionou em dezembro a Rússia, expulsando 35 diplomatas considerados espiões.