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Porto Alegre, quinta-feira, 17 de Agosto de 2017

  • 12/08/2017
  • 10:54
  • Atualização: 10:56

Trump avalia "opção militar" na Venezuela

Ministro venezuelano da Defesa disse que ameaça é um ato de loucura

Trump falou de seu clube de golfe em Bedminster  | Foto: Jim Watson / AFP / CP

Trump falou de seu clube de golfe em Bedminster | Foto: Jim Watson / AFP / CP

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  • AFP

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na sexta que não descarta "uma possível opção militar" na Venezuela, imersa em uma crise política e econômica. "Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar, se for necessário", disse o presidente, falando de seu clube de golfe em Bedminster (Nova Jersey), onde se encontra de férias.

Trump lembrou que a Venezuela é "vizinha" dos Estados Unidos e afirmou que, "certamente", Washington poderá optar por uma operação militar para resolver a situação no país sul-americano, onde quatro meses de protestos contra o presidente Nicolás Maduro resultaram em violentos distúrbios, que deixaram pelo menos 125 mortos. "Temos tropas no mundo todo em lugares muito distantes. A Venezuela não fica longe, e as pessoas estão sofrendo e morrendo", disse ele a jornalistas.

O ministro venezuelano da Defesa, general Vladimir Padrino López, reagiu, afirmando que a ameaça de Trump "é um ato de loucura, de supremo extremismo, de uma elite extremista que governa os Estados Unidos". "Como soldado, junto à FANB (Força Armada Nacional Bolivariana) e junto ao povo, estou certo de que todos estaremos na linha de frente na defesa dos interesses e da soberania de nossa amada Venezuela", declarou Padrino à TV estatal. O ministro venezuelano das Relações Exteriores, Jorge Arreaza, convocou uma entrevista para este sábado.

O Pentágono negou ter recebido, por enquanto, instruções para uma incursão armada, disse o porta-voz Eric Pahon. "Até agora, o Pentágono não recebeu ordens", afirmou. Ele reconheceu, contudo, que "o Exército realiza planos de contingência para diferentes situações. Se nos chamarem, estamos preparados para apoiar os esforços do governo para defender nossos interesses nacionais e proteger nossos cidadãos".

O chanceler chileno, Heraldo Muñoz, repudiou a posição de Trump, afirmando no Twitter que o governo de Michelle Bachelet "rejeita qualquer ameaça de intervenção militar na Venezuela". Muñoz defendeu a "Declaração de Lima", firmada esta semana por 12 países do continente, que pede uma "negociação" para se chegar a uma "solução duradoura" na Venezuela.

Horas após a ameaça de Trump, a Casa Branca informou que o presidente "conversará com prazer com o líder da Venezuela assim que a democracia for restaurada neste país". "Os Estados Unidos estão com o povo da Venezuela diante da contínua repressão do regime de Maduro", acrescentou o comunicado. Maduro havia ordenado a seu chanceler, Jorge Arreaza, que buscasse uma "conversa pessoal" com Trump, por telefone, ou no contexto da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, marcada para setembro.

Trump analisou a crise na Venezuela nesta sexta-feira com seu secretário de Estado, Rex Tillerson, e com a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley. "A Venezuela é um desastre, é um desastre muito perigoso e uma situação muito triste", declarou Trump. Procurados pela AFP, o Pentágono e o Comando Sul dos Estados Unidos ainda não comentaram as ameaças de Trump.

Os Estados Unidos não reconhecem a Assembleia Constituinte promovida por Maduro e rejeitada pela oposição, que a considera uma "fraude" para perpetuar o presidente no poder. As declarações de Trump surgem dois dias depois de o Tesouro americano ter sancionado Adán Chávez, irmão do falecido presidente Hugo Chávez (1999-2013), e outros sete funcionários venezuelanos por promoverem a Constituinte.

Chamando Maduro de "ditador", o governo de Trump o sancionou no dia seguinte à eleição da Constituinte. Treze funcionários do governo e ex-colaboradores foram acusados de romper a ordem democrática, de corrupção e de violação dos direitos humanos. A Constituinte instalada no último final de semana regirá o país com poderes absolutos por pelo menos dois anos.