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Porto Alegre, quarta-feira, 22 de Novembro de 2017

  • 14/11/2017
  • 10:12
  • Atualização: 10:26

Agência Internacional sugere generalizar energias limpas para limitar aquecimento global

Órgão estimou que o mundo não avança o suficiente no acesso à energia e na luta contra a poluição

Órgão estimou que o mundo não avança o suficiente no acesso à energia e na luta contra a poluição | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

Órgão estimou que o mundo não avança o suficiente no acesso à energia e na luta contra a poluição | Foto: Marcos Santos / USP Imagens / CP

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  • AFP

Para limitar o aquecimento do planeta e melhorar a qualidade do ar, a Agência Internacional de Energia (AIE) sugere generalizar o acesso a uma eletricidade gerada principalmente por fontes renováveis e usar gás que emita menos metano. Em suas previsões anuais publicadas nesta terça-feira, a AIE estima que o mundo não avança o suficiente no acesso à energia, na luta contra a poluição e contra as emissões de gases de efeito estufa.

Pelas previsões com base nas políticas atuais e nas intenções declaradas pelos diferentes países, as emissões de CO2 vinculadas à energia continuarão aumentando levemente até 2040. Entretanto, há sinais positivos: a agência revisou em baixa de 600 milhões de toneladas seu prognóstico de emissão de CO2 para essa data em relação ao seu último relatório anual. "Este resultado é de longe insuficiente para evitar os efeitos graves de mudança climática", aponta a AIE.

 

A evolução será também insatisfatória do ponto de vista da qualidade do ar, com um aumento previsto de 3 a 4 milhões de mortos prematuros devido à má qualidade do ar em 2040. Em termos de acesso à eletricidade, os avanços devem continuar sendo limitados: a AIE estima que cerca de 675 milhões de pessoas, 90% da África subsaariana, continuarão sem eletricidade em 2030, contra 1,1 bilhão. 

 

Esforços sobre o gás

A AIE, que assessora a 29 países desenvolvidos membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômicos (OCDE), elabora este ano um cenário alternativo que permite uma estabilização do clima, um ar menos contaminado e um acesso universal a fontes de energia modernas. Supõe que as energias com baixa emissão de carbono (renováveis e nuclear) duplicam sua parte na matriz energética global para alcançar 40% em 2040. A demanda de carvão deve cair imediatamente, seguida por um pico de consumo de petróleo com o desenvolvimento de veículos elétricos. Isso implica em um esforço maior em eficiência energética.

 

O relatório se concentra particularmente no gás, que todos os casos terá um papel importante no futuro. O gás, menos poluente dp que o petróleo, será muito importante nos países que atualmente dependem muito do carvão (como China e Índia) ou nos casos em que as alternativas renováveis são menos fáceis para implementar imediatamente. Mas a agência ressalta que só poderá ter um papel positivo se conseguir reduzir suas emissões de metano. Estima-se que o metano, também produzido pela agricultura, contribui em cerca de 20% o aquecimento global. O setor petroleiro e gasífero emite 76 milhões de toneladas por ano.

 

"É tecnicamente possível reduzir as emissões mundiais de metano provenientes de atividades vinculadas ao petróleo e ao gás em 75% e as emissões podem ser reduzidas de 40 a 50% sem custo líquido adicional", estimou o relatório.

Por seu lado, a eletricidade deveria ter um papel mais importante, mas também ser objeto de investimentos mais vultosos do que o previsto. Deveria atrair os dois terços dos investimentos nas fontes de energia, contra 40% em média nos últimos anos.

Para 2040 as energias renováveis representarão 60% da produção de eletricidade enquanto que a nuclear corresponderá a 15%.As energias fósseis continuarão tendo um papel no futuro, mas a AIE sugere suprimir os subsídios usados em seu favor: com 260 bilhões de dólares em 2016, as energias fósseis receberam quase o dobro das renováveis.