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  • 19/04/2017
  • 22:37
  • Atualização: 08:22

Oposição convoca nova manifestação após protesto que deixou dois mortos na Venezuela

Governo chavista é alvo de protestos nos últimos dias em várias cidades

Centenas de pessoas se manifestaram contra o governo chavista nos últimos dias em várias cidades da Europa e da América | Foto: Carlos Becerra / AFP / CP

Centenas de pessoas se manifestaram contra o governo chavista nos últimos dias em várias cidades da Europa e da América | Foto: Carlos Becerra / AFP / CP

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  • AFP

A oposição venezuelana convocou para quinta-feira um novo protesto contra o presidente Nicolás Maduro, após a gigantesca mobilização desta quarta-feira, que provocou confrontos por todo o país. "Amanhã, na mesma hora, convocamos todo o povo venezuelano a se mobilizar (...). Hoje fomos milhões e amanhã temos que reunir mais pessoas", declarou o líder opositor Henrique Capriles, em entrevista coletiva da coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD).

"Contra a selvageria e a repressão, mais democracia (...). Quem tem razão e está ao lado da verdade não deve ter medo. Medo deve ter Maduro", disse Capriles. "Estamos pedindo eleições livres e democráticas, estamos pedindo respeito à Assembleia Nacional, estamos pedindo a libertação dos presos políticos e estamos pedindo um canal humanitário (para a entrada na Venezuela de alimentos e remédios). Esta é a razão da luta".

Durante os protestos desta quarta-feira, um jovem de 17 anos morreu no hospital após ser baleado por motociclistas que atacaram uma concentração opositora no bairro de San Bernardino, em Caracas. A Promotoria venezuelana informou posteriormente a morte de uma jovem de 23 anos baleada na cabeça durante protestos na cidade de San Cristóbal (oeste).

"Não há qualquer justificativa para que se derrame uma gota de sangue neste país, quando os venezuelanos querem um futuro distinto", disse Capriles, ao condenar as mortes. O vice-presidente venezuelano, Tareck El Aissami, responsabilizou o presidente do Parlamento, o opositor Julio Borges, pela morte do jovem em Caracas nesta quarta.

"O responsável é Julio Borges, que transmitiu e tem sido recorrente em sua mensagem de violência, de ódio e de intolerância. Deve ser responsabilizado por estes fatos, por incentivar um setor de venezuelanos e venezuelanas a enfrentar um outro setor de compatriotas". Com os dois óbitos desta quarta-feira, sobe para sete o número de vítimas em três semanas de protestos da oposição para exigir eleições gerais e a saída de Maduro do poder, em meio a grave crise econômica e política que assola a Venezuela.

Em Caracas, os enfrentamentos entre as forças de segurança e os manifestantes que respondiam com pedras e coquetéis molotov explodiram em uma autoestrada estratégica e em vários setores do oeste da cidade. Quando se aproximava, com as mãos para cima, da barreira com que militares bloqueavam a passagem na autoestrada Francisco Fajardo, Capriles recebeu uma chuva de bombas de gás lacrimogêneo. Vários manifestantes fugiram, jogando-se nas águas poluídas do rio Guaire.

"É preciso sair desta ditadura. Queremos eleições para que Maduro saia do governo, porque deixou o país destruído. Não tenho medo!", disse à AFP Ingrid Chacón, de 54 anos, que participava da marcha, agitando uma grande bandeira venezuelana. Durante um comício no centro de Caracas, Maduro assegurou que deseja disputar eleições em breve para vencer o que chamou de "batalha" contra seu governo.

"Temos que buscar (...) fórmulas para ganhar definitivamente essa batalha em paz, eu quero ganhar essa batalha já. Eu quero que nos preparemos para ter uma batalha eleitoral pronta e total", disse o presidente.

Maduro também anunciou a captura de 30 pessoas com supostos planos para deflagrar atos de violência durante a marcha da oposição em Caracas, onde também se manifestam milhares de seus partidários. Mais de 200 pessoas foram detidas em marchas anteriores.

"Foram capturados mais de 30 encapuzados, violentos, terroristas, identificados plenamente", disse Maduro, em meio a aplausos, em discurso a seus seguidores na Avenida Bolívar, no centro da capital. No que chamaram de "marcha de todas as marchas", a sexta realizada este mês, opositores saíram de cerca de 20 pontos de concentração. Assim como aconteceu nas manifestações anteriores, não conseguiram, porém, chegar ao centro histórico de Caracas, reduto chavista, onde milhares de seguidores de Maduro se manifestavam.

Também ocorreram protestos da oposição nos estados de Zulia, Carabobo, Táchira, Mérida e Anzoátegui, com distúrbios que deixaram vários feridos. - Inquietação internacionalMaduro ativou uma operação militar e policial para "derrotar o golpe de Estado", pelo qual responsabiliza "a direita apátrida venezuelana" e os Estados Unidos. A medida foi considerada pela oposição como uma medida intimidadora e de repressão.

Em Washington, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, afirmou que a Casa Branca acompanha "de perto" e com "preocupação" o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela. Os Estados Unidos também fizeram uma dura advertência aos funcionários públicos venezuelanos para desistir da repressão.

Mais cedo, o representante interino dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA), Kevin Sullivan, considerou como "infundadas e irracionais" as acusações de "apoio americano a um golpe na Venezuela, assim como o apoio a manifestações violentas".

Feitas durante sessão do Conselho Permanente da OEA, as declarações de Sullivan foram uma reação às acusações feitas pelo vice-chanceler venezuelano, Samuel Moncada, sobre a suposta participação dos Estados Unidos em um golpe na Venezuela. Moncada disse ainda que a OEA serviria de "sala de comando" para incitar a violência em Caracas e acusou o secretário-geral da organização, Luis Almagro, de convocar a "guerra civil". Centenas de pessoas protestaram contra o governo chavista nos últimos dias em várias cidades da Europa e da América, como ocorreu nesta quarta-feira em Madri e em Miami.