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Porto Alegre, segunda-feira, 17 de Junho de 2019

  • 30/10/2018
  • 16:08
  • Atualização: 16:17

Indonésia ordena inspeção de Boeing 737 MAX após acidente

Aeronave, com 189 pessoas a bordo, desapareceu dos radares 13 minutos após decolagem

Aeronave se dirigia a Pangkal Pingang, localidade de passagem para ilha vizinha | Foto: Adek Berry / AFP / CP

Aeronave se dirigia a Pangkal Pingang, localidade de passagem para ilha vizinha | Foto: Adek Berry / AFP / CP

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  • AFP

A Indonésia ordenou nesta terça-feira a inspeção de todos os aviões Boeing 737 MAX, um dia depois de uma aeronave desse modelo, operada pela companhia aérea de baixo custo Lion Air, cair no mar com 189 pessoas a bordo. O Boeing 737 MAX 8, que havia entrado em serviço há apenas alguns meses, despareceu dos radares na segunda-feira, 13 minutos após decolar de Jacarta.

A aeronave caiu no mar de Java logo depois de ter solicitado ao controle aéreo permissão para retornar à capital indonésia. O ministro de Transportes indonésio, Budi Karya Sumadi, anunciou nesta terça que havia ordenado uma inspeção de "todos os Boeing 737 MAX", sem que isso significasse que as aeronaves deveriam deixar de voar.

Dezenas de socorristas e mergulhadores foram enviados ao local do desaparecimento do voo JT 610. Mas, desde segunda-feira à noite, os serviços de resgate não tinham muita esperança de encontrar sobreviventes. Até o anoitecer desta terça (horário local), os socorristas encheram 10 sacos para cadáveres com partes de corpos, que serão enviados a Jacarta para analisarem o DNA e, assim, poder identificá-los, declarou à emissora Metro TV Muhammad Syaugi, chefe da Agência indonésia de Investigação e Resgate.

Segundo o chefe adjunto da Polícia Nacional, Ari Donao Sukmanto, entre os corpos encontrados estaria o de um bebê. Os restos mortais serão enviados ao hospital policial de Jacarta para a realização de testes de DNA. "A minha filha não tem mais marido, meu neto não tem mais pai", lamentava Hari Setiyono, cujo genro faleceu no acidente.

Depois de perder quatro membros de sua família, Fabby Mellysa criticou a falta de informação por parte das autoridades. "Tinham que vir aqui e manter as famílias a par do que aconteceu, quantos corpos encontraram e o que farão a seguir", declarou à AFP.

"Falta de confiabilidade"

Segundo o Comitê de Segurança de Transportes Nacionais (NTSC), o avião transportava 178 passageiros adultos, uma criança, dois bebês, dois pilotos e seis membros da tripulação. Entre eles havia 20 funcionários do Ministério indonésio das Finanças e o ex-ciclista italiano Andrea Manfredi. "A nossa prioridade é encontrar a principal carcaça com a ajuda de cinco navios de guerra equipados com detectores de metais", declarou Yusuf Latif, porta-voz da Agência de Buscas. A região da queda tem uma profundidade de entre 30 e 40 metros.

As duas caixas-pretas - uma que registra as conversas na cabine do piloto e a outra dos parâmetros de voo - não foram encontradas. A aeronave se dirigia a Pangkal Pingang, localidade de passagem para os turistas que viajam para a ilha vizinha de Belitung. A Lion Air declarou que o Boeing entrou em serviço em agosto. O piloto e o copiloto tinham mais de 11.000 horas de voo. E, recentemente, passaram por exames médicos e toxicológicos, acrescentou a companhia.

Na segunda-feira, o presidente da Lion Air, Edward Sirait, admitiu que a companhia havia consertado o avião em Bali antes que partisse para Jacarta, sem dar mais detalhes, mas fez alusão a um "procedimento normal". A BBC, que teve acesso a um caderno técnico sobre o voo Bali-Jacarta de domingo, falou da "falta de confiabilidade" de um instrumento para medir a velocidade, e de divergências nas medidas de altitude entre os aparelhos do piloto e do copiloto. A empresa não respondeu aos pedidos de entrevista.

A Boeing, por sua vez, se declarou "profundamente penalizada" e "disposta a dar assistência técnica à investigação do acidente". Após o acidente, boatos e notícias falsas não pararam de circular, os quais diziam que um bebê havia sobrevivido, além da divulgação de um vídeo no qual apareciam passageiros de um avião em pânico.

O porta-voz da agência indonésia de gestão de catástrofes, Sutopo Purwo Nugroho, desmentiu essas duas "informações". A Indonésia, um arquipélago do sudeste asiático que tem 17.000 ilhas e ilhotas, depende em grande medida do transporte aéreo e os acidentes são frequentes. A Lion Air esteve envolvida em vários incidentes. O mais grave ocorreu em 2004, quando 26 pessoas morreram depois que um avião saiu da pista em Solo, no centro de Java.