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Porto Alegre, quarta-feira, 18 de Setembro de 2019

  • 24/09/2018
  • 17:28
  • Atualização: 17:34

Na ONU, presidente de Cuba denuncia nova corrida armamentista mundial

Discurso tinha como alvo o presidente dos Estados Unidos Donald Trump

Esta é a sexta vez que um presidente cubano discursa na Assembleia Geral da ONU desde a revolução de 1969 | Foto: Timothy A. Clary / AFP / CP

Esta é a sexta vez que um presidente cubano discursa na Assembleia Geral da ONU desde a revolução de 1969 | Foto: Timothy A. Clary / AFP / CP

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  • EFE

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, denunciou nesta segunda-feira o início de uma nova corrida armamentista mundial e criticou os governos que anunciaram recentemente aumentos de gastos em defesa ao afirmar que esses recursos poderiam ser destinados à construção da paz no mundo. Em seu primeiro discurso na Assembleia Geral da ONU, que nesta segunda-feira faz uma sessão dedicada à memória de Nelson Mandela, Díaz-Canel usou uma das mais famosas frases do ex-presidente da África do Sul para afirmar que Cuba "também quer ser dona de seu destino".

"Causam preocupação os recentes anúncios de aumento das despesas militares, que lançarão o mundo em uma nova corrida armamentista em detrimento dos recursos necessários para construir um mundo de paz. Não pode haver desenvolvimento sem paz e estabilidade, nem paz e estabilidade sem desenvolvimento", afirmou o presidente cubano. "A prioridade deve ser combater a fome crônica, a insalubridade, o analfabetismo, os altos índices de mortalidade infantil e as mortes por doenças preveníveis", continuou Díaz-Canel.

O discurso tinha como alvo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que recentemente defendeu o aumento dos gastos militares de seu governo. "Os deslocados e os famintos fogem das guerras para os países da abundância graças ao saque sofrido por nossos povos. Eles são vítimas de uma segregação silenciosa e silenciada. Falta muito para que tornemos os sonhos de Mandela em realidade", afirmou.

Díaz-Canel citou os laços que unem Cuba e a África, especialmente o apoio do país à luta contra o apartheid, quando Mandela e outros foram considerados como terroristas pelo governo da África do Sul. "Cuba se honra em lembrar que compartilhou das lutas de Mandela com os irmãos de Angola e Namíbia", disse Díaz-Canel. Além disso, o presidente cubano ressaltou que Fidel Castro definiu Mandela como "um homem absolutamente íntegro, firme, valente, heroico, sereno, inteligente e capaz".

Esta é a sexta vez que um presidente cubano discursa na Assembleia Geral da ONU desde a revolução de 1969. Fidel foi o primeiro a falar em uma sessão do maior fórum das Nações Unidas em 1960, ato que se repetiu em 1979, 1995 e 2000. Já Raúl Castro, que comandou o país de 2008 até 2018, foi à ONU apenas em 2015, pouco depois do anúncio da reaproximação diplomática entre Cuba e EUA.