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Porto Alegre, quinta-feira, 20 de Junho de 2019

  • 25/09/2018
  • 07:33
  • Atualização: 07:55

Argentina faz quarta greve geral contra governo de Mauricio Macri

Sindicatos convocaram trabalhadores de todos os setores para protestar contra novo acordo com FMI

Serviços públicos como transporte e hospitais não funcionarão na Argentina nesta terça | Foto: STR / NOTICIAS ARGENTINAS / AFP / CP

Serviços públicos como transporte e hospitais não funcionarão na Argentina nesta terça | Foto: STR / NOTICIAS ARGENTINAS / AFP / CP

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  • Agência Brasil e EFE

Sindicatos da Argentina fazem greve geral contra acordo com o FMI As principais centrais sindicais da Argentina realizam nesta terça-feira a quarta greve geral contra o presidente Mauricio Macri, no mesmo dia em que ele discusará na 73ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Macri aproveitou a viagem aos Estados Unidos para assegurar aos mercados que conseguirá renegociar o acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), fechado em junho, e que não há risco de o país decretar moratória da dívida externa, como em 2001.  

A greve - que paralisará transportes públicos, aeroportos e bancos - foi convocada contra as medidas de ajuste econômico, que o presidente se viu obrigado a adotar para obter uma linha de credito de 50 bilhões de dólares do FMI. Desse total, 15 bilhões de dólares já foram utilizados para conter a corrida cambial de maio. O resto seria liberado a cada três meses, sempre e quando a Argentina cumprisse as metas acordadas - e que agora estão sendo revistas. O ministro da Economia argentino, Nicolas Dujovne, prometeu zerar o déficit público no próximo ano em troca da antecipação dos desembolsos previstos para 2020 e 2021.

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O pedido de renegociação foi feito depois de a Argentina sofrer uma segunda corrida cambial em agosto, que o governo atribuiu à desconfiança dos mercados em sua capacidade de honrar seus compromissos em 2019.

Protesto

Horas antes no início da greve geral, milhares representantes de movimentos sociais, partidos de oposição e da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) marcharam na segunda-feira até a Praça de Maio, no centro da capital, Buenos Aires. "Amanhã (terça-feira) vamos mostrar ao mundo a foto de um país que diz não. Não ao FMI. Não ao orçamento do FMI. E não às demissões", disse o deputado e líder da CTA, Hugo Yasky, no ato de encerramento da manifestação, em frente ao palácio presidencial. Os manifestantes prometeram ocupar as ruas até convencer o governo a voltar atrás.       

O governo depende do Congresso, onde não tem maioria, para aprovar o orçamento de 2019, que prevê cortes nos gastos públicos - justamente em ano de eleição presidencial. Macri disse que é candidato a um segundo mandato e que não mudará o rumo da política econômica, apesar de estar pagando um alto preço político. Desde o início do ano, o peso argentino perdeu metade de seu valor; a inflação prevista para 2018 é de 42%; e o país está em recessão.

O governo argentino atribuiu a crise a fatores que escapam do seu controle, entre eles, a pior seca em 50 anos e a guerra comercial entre Estados Unidos e China. Mas, segundo Macri, o pior já passou e a economia deve voltar a crescer no segundo semestre. O ministro da Produção, Dante Sica, considerou a greve geral "inoportuna" e disse que o governo continuará negociando com a oposição para conseguir um consenso.

Serviços públicos fora de operação

Desde o final da tarde de segunda-feira, as seis linhas do metrô de Buenos Aires estavam completamente paralisadas, aderindo a greve e não funcionarão novamente até amanhã. Nesta terça os trens e ônibus urbanos também não funcionarão e dificilmente haverá táxis circulando pelas ruas.

Quanto aos aviões, é majoritária a adesão dos sindicatos de técnicos e pilotos; e as empresas como Aerolíneas Argentinas e Latam já anunciaram o cancelamento de seus voos domésticos, por isso sugeriram aos clientes que reprogramem suas viagens. Nos hospitais públicos do país, devem funcionar os serviços mínimos para emergências; não haverá aulas nas escolas, nem atividade nos portos e os bancos ficarão com as portas fechadas durante todo o dia.

As greves anteriores de 24 horas promovidas contra o atual governo por parte da CGT aconteceram em abril e dezembro de 2017 e no final do último mês de junho.