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  • 10/10/2017
  • 08:45
  • Atualização: 08:55

Polícia prende suposto segurança pessoal do chefe do tráfico na Rocinha

Ações na Rocinha tentam restabelecer rotina e prender criminosos envolvidos na disputa pelo tráfico

Ações na Rocinha tentam restabelecer rotina e prender criminosos envolvidos na disputa pelo tráfico | Foto: Carl de Souza / AFP / CP

Ações na Rocinha tentam restabelecer rotina e prender criminosos envolvidos na disputa pelo tráfico | Foto: Carl de Souza / AFP / CP

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  • Agência Brasil

A polícia prendeu nessa segunda-feira o traficante Adaílton da Conceição Soares, conhecido como Mão, e apontado como segurança pessoal de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, chefe do tráfico na comunidade da Rocinha e que está foragido.

O traficante, de 32 anos, foi preso por policiais militares do Setor de Inteligência da Coordenadoria de Polícia Pacificadora (CPP) e da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) Jacarezinho em uma casa no bairro Rodilândia, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo a Polícia Militar (PM), havia um mandado de prisão contra Adaílton Soares por tráfico de drogas.

O delegado Antônio Ricardo Nunes, titular da 11ª DP (Rocinha), informou que o traficante ficará na delegacia e depois será levado para o Complexo Penitenciário de Bangu, na zona oeste. De acordo com o delegado, Adaílton Soares é um dos homens fortemente armado que aparece em imagens gravadas pela polícia na comunidade em 2015, divulgadas no programa Fantástico, da TV Globo. Nas imagens, a sigla UPP é escrita em uma das ruas da Rocinha com açúcar, dando a impressão de se tratar de cocaína.

A polícia também irá investigar se o traficante participou do confronto do dia 17 de outubro entre os grupos liderados por Rogério 157 e Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, pelo comando do tráfico de drogas na Rocinha. “A princípio [Adaílton Soares] estaria do lado do 157, mas não posso, também, garantir isso [que continuaria ao lado de Rogério]”.

Tiroteios

Na segunda, a Rocinha viveu mais um dia de conflitos. Pela manhã, policiais da UPP Rocinha encontraram dois corpos na Rua 1, após informações fornecidas por moradores. O caso está sendo investigado pela Divisão de Homicídios (DH) da Capital, que fez perícia no local. À tarde, por volta das 14h, houve confronto entre policiais do Bope e traficantes. Não há informações sobre feridos, presos ou apreensões.

Desde o último dia 17, policiais militares realizam ações na Rocinha para tentar restabelecer a rotina e prender os criminosos envolvidos na disputa pelo tráfico. De acordo com a corporação, 550 policiais estão na região. Ao todo, são 15 pontos de cerco e 14 pontos de contenção no interior da comunidade.

Do dia 18 até a segunda-feira, 22 pessoas foram presas, cinco menores apreendidos, nove mortos e um ferido. Houve ainda a apreensão de 17 fuzis, três submetralhadoras,19 pistolas, 32 granadas/artefatos explosivos e de drogas.

Violência

A violência na Rocinha começou com a disputa entre dois ex-aliados, quando um grupo de Nem tentou retomar pontos de venda de drogas na comunidade sob comando de Rogério 157. Nem deu a ordem de dentro da Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, onde está preso.

De acordo com o chefe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal do Rio de Janeiro, Carlos Eduardo Thomé, Nem e Rogério 157 eram aliados e atuavam juntos no crime, porém houve uma dissidência dentro da facção criminosa que os separou. Mesmo preso, o delegado diz que Nem ainda tem grande força de comando na Rocinha.

“Ele [Nem] continua exercendo voz de comando na Rocinha, através de interlocutores. O Rogério 157 era um aliado a ele e após alguma dissidência ocorrida dentro dessa facção criminosa [Amigos dos Amigos -ADA], mas ele continua exercendo a voz de comando dentro da favela e muitos traficantes estão aliados a ele e foram afastados das atividades pelo próprio Rogério 157. Outros que estão nessa guerra saíram da Rocinha e voltaram para afastar o Rogério do comando do tráfico a mando do Nem”, apontou.

Apesar da força de Nem, o delegado informou que Rogério 157 também conseguiu ganhar apoio nesses anos. “Ainda tem muitos criminosos aliados a ele, soldados, muitos seguranças estão fiéis a ele ainda. Não está isolado na favela, seria uma ilusão falar isso. Tem muita gente do lado dele, mas a situação para ele não é nada confortável porque está sendo procurado pelo grupo que se manteve leal ao Nem e também sendo procurado pelas forças de segurança para ser efetivamente capturado”, afirmou.

Quase uma semana depois do ataque, policiais civis apreenderam dez fuzis na comunidade do Caju, na região portuária. Conforme as investigações, os fuzis teriam sido usados na invasão da Rocinha e seriam levados para o Morro de São Carlos. Com o cerco na Rocinha - pelos militares das Forças Armadas - um parente de Rogério 157 tentou negociar a rendição dele com a Polícia Federal, em uma maneira de evitar que ele fosse morto por rivais ou pela polícia.

Nem é um dos 81 presos do estado do Rio que estão em penitenciárias federais. Atualmente, ele cumpre pena por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele já passou pela unidade de segurança máxima de Campo Grande (MS). O traficante foi preso em novembro de 2011, em uma tentativa de fuga, quando estava escondido no porta-malas de um carro na Lagoa, zona sul do Rio.

Dados do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, indicam que o Rio é o estado com o maior número de criminosos em presídios federais. Em segundo vem o Paraná (45) e o Ceará (41).