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  • 05/12/2017
  • 08:55
  • Atualização: 10:26

Facção usava sítio milionário como QG em Taquara

Localizado na zona rural da cidade, imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões

Três casas, pista de kart, campo de futebol: facção usava sítio milionário como QG | Foto: Polícia Civil / Divulgação / CP

Três casas, pista de kart, campo de futebol: facção usava sítio milionário como QG | Foto: Polícia Civil / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo

Um sítio com três casas, piscina, pista de kart, campo de futebol e lago na zona rural de Taquara, no Vale do Paranhana, eram usados como parte de um "quartel general" da facção comandada por Jackson Peixoto Rodrigues, 34 anos, o Nego Jackson. A Polícia Civil acredita que o local funcionava como esconderijo para a mulher, filha e sogra do traficante. O imóvel foi descoberto em 17 de novembro, durante desdobramento da operação Quebra-Cabeça e já foi sequestrado por ordem judicial. Mas a Polícia só divulgou a informação nessa segunda-feira.

A mulher de Nego Jackson, Pamela Monteiro Pereira, foi presa em 15 de novembro, no Aeroporto Salgado Filho. Ela foi detida no momento em que embarcaria para Rondônia, onde visitaria Nego Jackson na Penitenciária Federal de Porto Velho. A mãe dela Eva Monteiro Pereira e a filha adolescente do casal seguem desaparecidas. A Polícia suspeita que elas tenham fugido do sítio logo após a operação ser deflagrada em 16 de novembro.

O sítio seria usado como "porto seguro" da facção Anti Bala. Era onde a quadrilha guardava o dinheiro. Parte do lucro ficava no sítio da zona rural e outra parte era levada ao Paraguai, onde Nego Jackson foi preso em janeiro deste ano. A Polícia Civil acredita que o traficante teria ido ao país vizinho ainda no início de 2016 e que o dinheiro era usado para que ele seguisse abastecendo o estoque de drogas da facção. 

Durante a operação Quebra-Cabeça, em 16 de novembro, policiais cumpriram mandado de busca e apreensão em um apartamento na zona urbana de Taquara. Havia a suspeita de que o local fosse o escondreijo de Pamela. Na residência, foram localizadas notas fiscais, que foram rastradas, levando os agentes a identificar um mercado na zona rural de Taquara. Conversando com moradores, descobriram o sítio.

O delegado Filipe Borges Bringhenti, da Delegacia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro do Gabinete de Inteligência e Assuntos Estratégicos da Polícia Civil, acredita que o sítio teria sido comprado em meados de 2016, por R$ 1,5 milhão. Hoje, o imóvel é avaliado em aproximadamente R$ 2 milhões. 

A operação já bloqueou cerca de R$ 12,2 milhões da facção. O número pode aumentar, pois a Polícia Civil ainda aguarda o resultado do bloqueio de contas.

Disque denúncia

A Polícia Civil disponibiliza o número 197 para denúncias via telefone e também o (51) 98418-7814, para mensagens via WhatsApp, para quem tiver informações sobre a localização de Eva, Raquel Lopes dos Santos, 42 anos, - gerente financeira da facção -, ou de outros membros da facção. O anonimato é garantido.

A operação em números

- 30 mandados de busca e apreensão em Porto Alegre, Cachoeirinha, Viamão, Taquara, Gravataí e Canoas.

- 11 mandados de prisão

- 33 imóveis sequestestrados

- 31 veículos apreendidos

- Total de bens da facção bloqueados: R$ 12,2 milhões

- Investigação durou oito meses

- Facção atuava principalmente em Porto Alegre e Gravataí

- As empresas usadas para lavar dinheiro ficavam no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Piauí.