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Porto Alegre, domingo, 24 de Setembro de 2017

  • 11/09/2017
  • 13:15

Brigada Militar reforça policiamento em Gravataí após onda de execuções

Mais de 50 assassinatos foram registrados durante o feriadão em todo o Rio Grande do Sul

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  • Correio do Povo

A Brigada Militar reforçou desde essa segunda o policiamento ostensivo em Gravataí após a onda de execuções durante o feriadão da Independência que teve nove mortos e outros nove feridos. Já a Polícia Civil estuda o apoio ao trabalho investigativo para elucidar os crimes e prender os responsáveis. Ambas as instituições suspeitam que a violência estourou no município após o caso das duas vítimas que tiveram de cavar a própria cova sendo depois baleadas e mortas em seguida, no dia 25 de agosto passado. Imagens chocantes das vítimas circularam nas redes sociais.

O comandante do 17º BPM, tenente coronel Vanderlei Mayer Padilha, explicou que o reforço do policiamento em Gravataí ocorre através dos efetivos dos pelotões de operações especiais dos batalhões ligados ao Comando de Policiamento Metropolitano da Brigada Militar. “Vamos intensificar as nossas ações dentro da Operação Avante”, observou, acrescentando as execuções têm relação com a guerra entre as facções criminosas. “Tudo se desencadeou provavelmente com a execução dos dois jovens que cavaram a própria cova”, recordou.

“Há uma disputa muito grande entre as facções”, enfatizou, salientando que muitos dos envolvidos são oriundos de outros municípios mas também tem quem reside na cidade. O tenente coronel Vanderlei Mayer Padilha lembrou que o narcotráfico existe por que têm os compradores de drogas. “Quem alimenta esses crimes são os consumidores, ou seja, a sociedade. Muitos dos que reclamam e clamam por segurança são alimentadores do crime por serem usuários”, concluiu o oficial.

Já o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana (DPM) da Polícia Civil, delegado Fábio Lopes, revelou que está sendo estudado o apoio ao trabalho investigativo da Delegacia de Polícia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Gravataí, comandada pelo delegado Felipe Borba. “Estamos avaliando as medidas, entre elas, a possibilidade de reforço para dar uma vazão maior às investigações”, afirmou. Ele também aponta a guerra entre as facções criminosas pelo tráfico de drogas como responsável pela onda de violência. Para o delegado Felipe Borba, um dos objetivos das investigações é apurar as possíveis ligações entre as mortes ocorridas no feriadão. “Por enquanto não temos os vínculos entre os crimes”, justificou. Ele também acredita que o caso dos jovens que cavaram a própria cova pode ter sido o estopim da onda de execuções e “estimulou o espírito de vingança”. Na sua avaliação preliminar, as vítimas não seriam apenas de uma única facção criminosa.

Rio Grande do Sul

Mais de 50 assassinatos foram registrados durante o feriadão em todo o Rio Grande do Sul. Para o Chefe de Polícia Civil, delegado Emerson Wendt, a maioria dos casos está relacionada ao tráfico de drogas, mas também ocorreram latrocínios e homicídios com conotação passional. “O que chamou a atenção foram vários duplos homicídios relacionados ao tráfico, além da questão de Gravataí”, disse. Na avaliação dele, as vítimas incluem tanto envolvidos na guerra entre facções como acertos internos das quadrilhas, sobretudo ligadas às dívidas.

Na opinião do Comandante-Geral da Brigada Militar, coronel Andreis Silvio Dal´Lago, uma situação parecida com Gravataí também se verifica em Alvorada e Viamão. “Estamos atuando com repressão qualificada. Nunca teve tanta prisão como neste final de semana”, recordou.