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Porto Alegre, terça-feira, 20 de Agosto de 2019

  • 01/06/2016
  • 23:16
  • Atualização: 23:26

Pedro Corrêa diz que "mais de 50 votos foram comprados" para aprovar reeleição

Ex-deputado do PP declarou em delação que líderes governistas ofereceram propina por projeto que beneficiou FHC

Ex-deputado do PP declarou em delação que líderes governistas ofereceram propina por projeto que beneficiou FHC | Foto: Fabiano do Amaral/CP Memória

Ex-deputado do PP declarou em delação que líderes governistas ofereceram propina por projeto que beneficiou FHC | Foto: Fabiano do Amaral/CP Memória

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Em sua delação premiada firmada com a força-tarefa da Lava Jato, o ex-deputado Pedro Corrêa (PP-PE) disse que líderes governistas "compraram os votos" de "mais de 50 deputados" para aprovar a emenda constitucional que instituiu a reeleição no Brasil, em 1997. O ex-deputado também afirmou que o caso foi investigado na época, mas o governo "teve força política suficiente para abafar tudo".

Corrêa foi condenado pelo juiz Sérgio Moro a 20 anos e três meses de prisão enquanto ainda cumpria sua pena no mensalão. A citação à aprovação da reeleição de FHC foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo. O ex-deputado afirmou aos investigadores que o episódio envolvendo o governo do tucano "foi um dos momentos mais espúrios" que ele presenciou. Segundo o delator, houve uma disputa de propinas. Corrêa disse que estavam em lados opostos o governo federal e o deputado Paulo Maluf (PP-SP), que na época havia acabado de deixar a Prefeitura de São Paulo com alta aprovação e trabalhava para ser candidato à Presidência.

Segundo o ex-deputado, a iniciativa da reeleição por parte do governo federal foi liderada pelo então ministro das Comunicações Sérgio Motta (morto em 1998) e pelo então presidente da Câmara Luis Eduardo Magalhães (também morto em 1998 e na época do PFL, atual DEM), com o apoio do deputado Pauderney Avelino, o atual  líder do DEM na Câmara. Também foi apoiada pelos então governadores Amazonino Mendes (PFL-AM) e Olair Cameli (PFL-AC) "entre outras lideranças governistas". Corrêa disse que estava do outro lado da "disputa", com "recursos do então ex-prefeito da cidade de São Paulo e hoje deputado federal, Paulo Maluf (PP-SP)".

Para tanto, relata Corrêa, Maluf convocou ele e os deputados Severino Cavalcanti e Salatiel Carvalho "para se contrapor ao governo e também cooptar, com propina, parlamentares que estivessem se vendendo ao governo FHC". Segundo o ex-deputado, todos os fatos narrados "foram investigados por uma comissão de sindicância, que a seu final sugeriu ao TCU que investigasse Sérgio Motta". "Mas o governo, à época, teve força política suficiente para abafar tudo." O delator disse que viu o banqueiro e ex-ministro Olavo Setubal nos fundos do plenário da Câmara dando bilhetes a deputados que votaram a favor da emenda para que eles fossem as um doleiro de Brasília e "recebessem suas propinas em dólares americanos".

Fernando Henrique disse em nota que "Corrêa apenas repetiu o que foi veiculado pela imprensa na época. "E levou à renúncia de alguns dos quatro deputados citados como responsáveis por receber propinas, isso depois de investigação na Câmara. O modo como a informação chegou a mim e sua pronta repulsa estão minuciosamente registrados no volume 2 dos Diários da Presidência, que acabo de publicar".  Maluf afirmou, por meio de sua assessoria que FHC foi "favorecido no episódio" com a sua reeleição, e portanto é quem deve ser ouvido.

Pauderney Avelino rechaçou as referências a seu nome. "Não responderei aos bandidos e ladrões do dinheiro público", declarou. O presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, disse que ficou "profundamente indignado" em ver o nome de seu pai "tão absurdamente envolvido numa história sem comprovações". "Ele era um homem absolutamente ético e tenho convicção de que ele jamais se envolveu em nada parecido com o que, covardemente, o ex-deputado Pedro Corrêa descreveu. Meu pai não participava de qualquer atividade política partidária desde 1986, e não há nenhum indício de que essa história possa ter fundamento."

A reportagem entrou em contato e encaminhou e-mail para a assessoria de ACM Neto, da família de Luis Eduardo Magalhães, mas não obteve resposta. Os demais citados não foram encontrados.