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  • 07/12/2017
  • 18:20
  • Atualização: 18:56

Por 5 votos a 4, STF vota contra imunidade a deputados estaduais

Proclamação do resultado é provisória em razão da ausência de dois ministros

Ministra Cármen Lúcia votou contra benefícios a deputados estaduais  | Foto: Rosinei Coutinho / SCO / STF / CP

Ministra Cármen Lúcia votou contra benefícios a deputados estaduais | Foto: Rosinei Coutinho / SCO / STF / CP

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  • Correio do Povo

A maioria do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) votou contra que deputados estaduais tenham imunidade em casos de reverter prisões e medidas cautelares. Assim as assembleias não têm o poder de revogar medidas do Judiciário. Entretanto, o resultado é provisório em razão da ausência dos ministros Ricardo Lewandowski e Luís Barroso da sessão realizada nesta quinta-feira. A presidente da Corte, a ministra Cármen Lúcia, suspendeu temporiamente o julgamento que será retomada quando os ministros retornarem para concluir a votação. Por lei, são necessários seis votos contra imunidade para encerrar a sessão.

De acordo com o entendimento firmado, os parlamentares estaduais não têm as mesmas garantias dos parlamentares federais e senadores, que somente podem ser presos em flagrante por crime inafiançável e com aprovação da Casa Legislativa a que pertencem.

O placar de 5 a 4 foi obtido com voto de desempate da presidente, Cármen Lúcia. Durante seu voto, a ministra disse que a “corrupção está sangrando o país” e que o sistema jurídico impõe a ética no serviço público. No entendimento da presidente, as assembleias não podem revisar decisões judiciais que determinem a prisão de deputados estaduais. “É preciso que os princípios constitucionais digam respeito a higidez das instituições, aos princípios democráticos, mas não permitem, no entanto, que a imunidade se torne impunidade.", disse a ministra.

Durante os dois dias de julgamento, os ministros Marco Aurélio, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Celso de Mello votaram a favor da imunidade. Edson Fachin, Rosa Weber, Luiz Fux, Dias Toffoli e Cármem Lúcia se manifestaram contra o benefício. Luís Roberto Barroso, em viagem acadêmica, e Ricardo Lewandowski, de licença médica, não participaram da sessão.

Com a decisão, a Corte valida a decisão da Justiça do Rio de Janeiro que mandou prender deputados estaduais investigados pela Polícia Federal, após a assembleia estadual ter derrubado a decisão por meio de votação no plenário da Casa. O mesmo entendimento será aplicado em casos semelhantes no Mato Grosso e no Rio Grande do Norte.

Histórico

O caso que motivou o julgamento foi a prisão preventiva dos deputados do estado do Rio de Janeiro Jorge Picciani, Paulo Melo e Edson Albertassi, todos do PMDB. A decisão será aplicada em casos semelhantes registrados nas assembleias do Mato Grosso e do Rio Grande do Norte.

Os parlamentares foram presos preventivamente no dia 16 de novembro, por determinação da Justiça Federal, sob a suspeita de terem recebido propina de empresas de ônibus. Os fatos são investigados na Operação Cadeia Velha, da Polícia Federal. No dia seguinte, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro reverteu a decisão judicial e votou pela soltura dos três.

A questão jurídica está em torno da interpretação do Artigo 27, da Constituição. O quarto parágrafo diz que o deputado estadual tem direito às regras constitucionais sobre sistema eleitoral, inviolabilidade e imunidades previstas na Carta.

Com base nesse artigo, constituições estaduais reproduziram a regra, prevista no Artigo 53, que garante a deputados e senadores prisão somente em flagrante de crime inafiançável e referendada por sua casa legislativa.


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