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Porto Alegre, sexta-feira, 21 de Julho de 2017

  • 20/04/2017
  • 15:12
  • Atualização: 15:42

Em depoimento, Palocci sugere entregar informações e nomes

Ex-ministro, preso pela Operação Lava Jato, disse que teve caixa 2 em todas as campanhas

Em depoimento, Palocci sugere entregar informações e nomes | Foto: Heuler Andrey / AFP / CP

Em depoimento, Palocci sugere entregar informações e nomes | Foto: Heuler Andrey / AFP / CP

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O ex-ministro Antonio Palocci pediu a palavra nesta quinta-feira, durante seu interrogatório na Operação Lava Jato, para fazer uma oferta enigmática ao juiz Sérgio Moro. Ao fim do depoimento, o petista sugeriu entregar informações ‘que vão ser certamente do interesse da Lava Jato’.

“Fico à sua disposição hoje e em outros momentos, porque todos os nomes e situações que eu optei por não falar aqui, por sensibilidade da informação, estão à sua disposição o dia que o sr. quiser. Se o sr. estiver com a agenda muito ocupada, a pessoa que o sr. determinar, eu imediatamente apresento todos esses fatos com nomes, endereços, operações realizadas e coisas que vão ser certamente do interesse da Lava Jato.”

Palocci surpreendeu o magistrado ao derramar elogios à maior operação contra a corrupção já desfechada no País – por obra do próprio Moro -, e que levou para a cadeia ele próprio e outros quadros expressivos do PT. O ex-ministro, preso desde setembro de 2016, disse que a Lava Jato ‘realiza uma investigação de importância’.

“Acredito que posso dar um caminho, que talvez vá dar um ano de trabalho, mas é um trabalho que faz bem ao Brasil”, acenou.

Caixa 2

Ao juiz federal Sérgio Moro, no fim de seu interrogatório, o ex-ministro Antonio Palocci foi categórico: ‘Todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas’. O petista não apontou especificamente para nenhuma corrida eleitoral.

“Digo ao sr: não sou alheio, em tudo que fiz na minha vida pública não deixei de cometer erros, não deixei de cometer erros e procurei aqui dizer sobre essa questão de caixa 2 eu não me sinto em condições de falar o que todo mundo está falando que nada existiu, que tudo foi aprovado nos tribunais. Não, todo mundo sabe que teve caixa 2 em todas as campanhas. Não vou mentir sobre coisas…”, afirmou.

“Eu queria, então, portanto, concluir, dizendo ao sr que nunca pedi recurso para empresa enquanto ministro, nunca pedi recurso para sondas, nunca, jamais. Aliás, um dado a mais. A Sete Brasil é uma empresa privada, é propriedade de bancos. Não sei como um agente público poderia pedir apoio. Nunca pedi recursos fora do Brasil e nunca pedi ou operei caixa 2, mas ouvi dizer que existia em todas as campanhas, isso é um fato.”

Planilha da Odebrecht

Antonio Palocci afirmou que não vai “dizer que nada corresponde à realidade”, ao responder sobre registro de planilha da Odebrecht de conta corrente “Italiano”, que teve crédito de R$ 200 milhões de caixa 2 para o PT.

Na primeira audiência como réu da Lava Jato, Palocci foi questionado por Moro sobre a “planilha posição programa especial Italiano”.

“Segundo diz o senhor Marcelo Odebrecht, era uma referência ao senhor, a pagamentos ao Partido dos Trabalhadores, que o senhor administrava. Nada disse aqui corresponde à realidade?.”

“Não, não vou dizer que nada corresponde à realidade”, respondeu Palocci, que seria o “Italiano”.

“Vou dizer que eu jamais orientei pagamentos ou organizei pagamentos ou operei caixa 2 junto ao Marcelo. Jamais isso aconteceu.”

Palocci levantou dúvidas sobre os valores existentes na planilha. “E digo mais, digo mais. Do que eu sabia, porque não lidava com isso, do que eu sabia dos recursos de campanha e de dívidas de campanha com marqueteiros, me parece que esses valores são bem diferentes do que eu tinha de informações.” O ex-ministro disse desconhecer que ele seja “Italiano”, das planilhas da propina. “Ele nunca me chamou de Italiano.”

Palocci foi interrogado em ação penal sobre lavagem de dinheiro e corrupção ativa e passiva relacionados à obtenção, pela empreiteira Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobras.

Segundo a denúncia, entre 2006 e 2015, Palocci estabeleceu com altos executivos da Odebrecht ‘um amplo e permanente esquema de corrupção’ destinado a assegurar o atendimento aos interesses do grupo empresarial na alta cúpula do governo federal.

O Ministério Público Federal aponta que no exercício dos cargos de deputado federal, ministro da Casa Civil e membro do Conselho de Administração da Petrobrás, Palocci interferiu para que o edital de licitação lançado pela estatal e destinado à contratação de 21 sondas fosse formulado e publicado de forma a garantir que a Odebrecht não obtivesse apenas os contratos, mas que também firmasse tais contratos com margem de lucro pretendida.