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Porto Alegre, quarta-feira, 26 de Abril de 2017

  • 21/04/2017
  • 07:29
  • Atualização: 07:46

Camiseta gera polêmica em sessão da Câmara em Porto Alegre

Vereadora Karen Santos usou vestimenta com estampa do líder negro Malcolm X

Vereadora Karen Santos usou vestimenta com estampa do líder negro Malcolm X  | Foto: Elson Sempé / CMPA / CP

Vereadora Karen Santos usou vestimenta com estampa do líder negro Malcolm X | Foto: Elson Sempé / CMPA / CP

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  • Correio do Povo

A vestimenta de uma vereadora causou polêmica durante a sessão da última quarta-feira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre. O fato ocorreu quando a suplente Karen Santos (PSol), que tomava posse em substituição à vereadora Fernanda Melchionna (PSol), subiu à tribuna para seu pronunciamento. Ela vestia uma camiseta branca com a estampa do rosto do líder norte-americano Malcolm X, um dos símbolos da luta por direitos civis para os negros nos Estados Unidos. Tão logo subiu à tribuna, ela foi repreendida pelo vice-presidente da Casa Legislativa, vereador Valter Nagelstein (PMDB), que considerou a vestimenta inadequada.

A atitude inesperada do peemedebista acabou interrompendo a sessão e ocasionou bate-boca entre vereadores. Em meio à confusão, Nagelstein declarou que, se os homens não podem usar camiseta, o mesmo deve ser aplicado às mulheres. “Este presidente irá observar as normas do regimento, inclusive as questões que podem parecer para muitos dispensáveis e banais. Não é lícito ao vereador homem subir à tribuna de camiseta e é determinado à vereadora mulher que se vista de forma semelhante”, argumentou Nagelstein. Mais tarde, Nagelstein ponderou: “Eu disse que o regimento tem determinação sobre a roupa. Por óbvio não faria a discriminação que me acusam”, disse.

Karen, que foi eleita com 2.642 votos, fazia sua primeira manifestação na tribuna. Em seu discurso, fez críticas aos modelos de atuação política do presidente Michel Temer (PMDB), do governador José Ivo Sartori (PMDB) e do prefeito da Capital, Nelson Marchezan Júnior (PSDB). “Me senti discriminada, tanto por usar a camiseta quanto pela estampa e o que ela representa. Talvez as críticas políticas tenham motivado a reação do vereador. Este fato serve para reforçar o questionamento: o povo precisa de representantes com compromisso social ou engravatada para ocupar espaços de decisão?”, apontou Karen.

Conforme o diretor Legislativo da Câmara, Luiz Afonso de Melo Peres, não existe regra escrita e jamais houve uma prática que determina ou exclui estilo de vestimenta para as vereadoras. “O regimento tem uma regra geral que define como dever do vereador comparecer às sessões com traje passeio completo ou pilcha gaúcha. Isso, em relação aos homens, é fácil de identificar… terno, enfim. Mas em relação às mulheres, o conceito seria vestido longo. O que, na verdade, a prática da Casa tem flexibilizado, porque não se vai exigir que as vereadoras venham de vestido longo. O que se pode afirmar é que não há um tratamento específico sobre a indumentária das vereadoras. Não há uma exigência regimental expressa sobre isso”, explicou.