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Porto Alegre, domingo, 23 de Julho de 2017

  • 17/07/2017
  • 07:31
  • Atualização: 07:36

Pressão de bases eleitorais preocupa Planalto

Início de recesso parlamentar deve esvaziar plenário na análise da denúncia de corrupção contra Temer

Pressão de bases eleitorais preocupa Planalto | Foto: Evaristo Sá / AFP / CP

Pressão de bases eleitorais preocupa Planalto | Foto: Evaristo Sá / AFP / CP

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  • Taline Oppitz

Com o início do recesso parlamentar em Brasília, a partir desta terça-feira, o Palácio do Planalto terá mais um motivo para preocupação, que pode ter reflexo na movimentação dos deputados federais em plenário na análise da denúncia por corrupção passiva, apresentada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer.

A votação do parecer contrário ao avanço da denúncia foi marcada pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia, do Dem, para o dia 2 de agosto, contrariando interesse do governo que pretendia garantir a sessão antes do recesso. Até lá, parlamentares que retornam aos seus estados de origem durante o recesso, ficarão expostos à opinião, pressão e cobranças de suas bases eleitorais em relação ao posicionamento sobre a denúncia.

Temer é o presidente com o maior índice de rejeição dos últimos 28 anos, com apenas 7% de aprovação, segundo pesquisa Datafolha divulgada em junho. E parlamentares costumam ser suscetíveis á avaliação da opinião pública, principalmente em ano pré-eleitoral, já que em 2018 muitos deles irão se submeter às urnas em busca da reeleição.

Além da pressão das bases sobre os deputados federais, o governo está à mercê e teme que durante o recesso avancem as negociações das delações premiadas de Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro, operador do PMDB em esquemas de corrupção. Outra preocupação é em relação a vazamentos de informações repassadas por Cunha e Funaro com potencial para atingir e fragilizar ainda mais o presidente.

Os dilemas tucanos

Rachado e tentando equalizar o cálculo do desgaste vinculado à permanência na base de Temer, o PSDB sairá muito menor da crise que atinge Brasília. Por ora, seguem prevalecendo as tentativas de não ser responsabilizado diretamente pelo naufrágio do governo e de manter relação, mesmo que estremecida com o PMDB, visando 2018.

Sem trégua

Na Procuradoria-Geral da República até 17 de setembro, Rodrigo Janot não irá dar trégua ao governo Temer até seu último dia. Provavelmente, Temer ainda não terá sepultado a denúncia por corrupção passiva quando chegar, à Câmara, a segunda, por obstrução de Justiça.