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Porto Alegre, domingo, 16 de Junho de 2019

  • 13/12/2018
  • 17:41
  • Atualização: 17:49

Melo confirma dissidência sobre adesão do MDB a Marchezan

Dirigente destacou que nunca participou de reuniões para tratar do assunto e critica negociações em curso

Melo reiterou que sua posição continua a mesma do final de 2016 | Foto: André Ávila / CP Memória

Melo reiterou que sua posição continua a mesma do final de 2016 | Foto: André Ávila / CP Memória

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  • Flavia Bemfica

O vice-presidente do MDB gaúcho e deputado estadual eleito, Sebastião Melo, que até então vinha preferindo não se manifestar sobre as negociações para ingresso do partido na administração do prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan Júnior (PSDB), rompeu o silêncio na tarde desta quinta-feira. Melo reiterou que sua posição continua a mesma do final de 2016, quando perdeu a eleição para Marchezan.

“Quem ganha a eleição, governa; e quem perde, deve cumprir o papel de oposição colaborativa. Não mudei de posição e não participei de nenhuma reunião, encontro ou jantar que tenha decidido pela adesão do MDB ao governo Marchezan”, sustentou.

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Convidado para a reunião da executiva municipal do partido com a bancada na Câmara de Vereadores marcada para segunda-feira e que tratará do tema, Melo adianta que não tem motivos para participar do encontro e pretende encaminhar uma resposta dura aos companheiros de sigla. Nela, compara o MDB à antiga UDN. “Não comparecerei porque há dois anos estou esperando pela discussão sobre os rumos do partido e ela não aconteceu. Agora, depois de terem decidido ingressar no governo Marchezan, querem fazer aquilo em que a UDN foi pioneira: se reúnem depois que tudo está decidido.”

Melo ressalva que é adepto de uma postura de colaboração caso o objetivo fosse “resolver os problemas da cidade.” “Mas o que estou enxergando nesse processo não é isso, e sim ocupação de cargos. Por esta razão que penso que o MDB está na contramão.”

O dirigente, que entre os deputados estaduais eleitos do MDB também tem posição divergente em relação a maioria da bancada, disse que, sobre a adesão do MDB ao governo eleito de Eduardo Leite (PSDB), pretende se manifestar apenas depois da reunião da executiva estadual com os parlamentares, marcada para o início da tarde desta sexta. Internamente, enquanto a quase totalidade dos deputados pressiona para que o MDB ingresse o mais rápido possível na base de Leite, Melo acredita que o partido deve se manter independente e defende que a discussão não se restrinja à executiva e a bancada, devendo passar pelo diretório estadual.

De público, ele informa que por enquanto quer se "ater ao tema da prefeitura de Porto Alegre.” Sobre o fato de seu nome estar entre os cotados no partido para a corrida ao Paço municipal em 2020, ele também não quis falar. “Sou deputado estadual eleito. Sobre 2020 falaremos em 2020.”