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  • 11/01/2018
  • 21:56
  • Atualização: 22:19

Para DEM, candidatura de Maia é alternativa para bloco governista

Temer avaliou que presidente da Câmara só tem a ganhar ao se movimentar pela sucessão ao Planalto

Para DEM, candidatura de Maia é alternativa para bloco governista | Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados / CP

Para DEM, candidatura de Maia é alternativa para bloco governista | Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados / CP

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Líderes do DEM veem a candidatura do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), como uma das principais alternativas do bloco governista. O presidente Michel Temer avaliou que Maia tende a disputar a reeleição à Presidência da Câmara, mas só tem a ganhar ao se movimentar pela sucessão ao Planalto.

Para o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), a declaração de Temer ao jornal O Estado de S. Paulo "não significa apoio ou não do governo", mas um "posicionamento de debate". "Com a candidatura do Maia se consolidando, ela talvez seja a mais capaz de reunir apoio de legendas que compõem a base do governo." Efraim considerou que o Palácio do Planalto tenta manter Maia e o ministro Henrique Meirelles focados na agenda econômica para "não antecipar" o debate sobre a eleição, mas que isso será inevitável.

Presidente do DEM, José Agripino (RN) disse que as legendas têm direito de tentar viabilizar candidaturas. "Maia, como está tendo uma exposição marcante e tem se manifestado com acerto, adquiriu visibilidade. Ele não se coloca como candidato, mas, queiram ou não, é uma alternativa." Plano em execução Maia intensificou as articulações em busca de apoio de partidos do Centrão para viabilizar sua possível candidatura à Presidência da República. Nesta quinta-feira, ele se reuniu com o ex-deputado federal Valdemar Costa Neto (SP), que comanda o PR, e almoçou com o governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo (PSD).

Oficialmente, Maia disse que pediu apoio das lideranças dos dois partidos para aprovação da Reforma da Previdência, considerada pelo grupo ligado a ele como vital para fazer a candidatura ao Palácio do Planalto deslanchar. A avaliação é de que a aprovação das mudanças nas regras da aposentadoria pode reforçar o discurso reformista e o poder de articulação.

Em entrevista em Santa Catarina, Maia desconversou sobre sua candidatura. "Em época de recesso, cria-se todo tipo de história. Comecei a correr os Estados para discutir a reforma da Previdência e iniciei por Santa Catarina. É um tema urgente, difícil e fundamental para a economia, que já se recupera", disse.

Mais cedo, Maia tinha usado sua rede social para falar de sua programação: "Hoje, agenda da reforma da Previdência. Café da manhã com Partido da República, já começamos o trabalho para a conquista dos votos. O almoço será com o governador Colombo em Florianópolis. Vamos tentar construir a participação dos governadores neste debate", escreveu no Twitter, rede que passou a usar com mais frequência desde o fim do ano passado.

Segundo interlocutores, Maia diz acreditar que poderá receber o apoio do PR caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) seja condenado em segunda instância no processo do triplex do Guarujá (SP) e fique impedido de disputar a eleição. O julgamento do caso pelo Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, está marcado para o dia 24. Caso o petista consiga ser candidato, Valdemar tem defendido aliança com Lula.

Ana Amélia cotada para vice

Além de Valdemar, o grupo de Maia também tem conversado com o ex-deputado Bernardo Santana, presidente do PR de Minas. Santana é do mesmo Estado do senador Antonio Anastasia (PSDB), nome com que o presidente da Câmara sonha em ter como vice. Outra opção seria a senadora Ana Amélia (RS), do PP, legenda a cuja negociação de aliança com Maia está mais avançada, segundo os aliados do parlamentar fluminense.

Depois do encontro com Valdemar, Maia embarcou para almoço com Colombo. O governador catarinense é do mesmo partido do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que trava uma disputa nos bastidores com o presidente da Câmara e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), para ser o candidato de centro apoiado pela maioria dos partidos da base aliada do presidente Michel Temer.

Em entrevista publicada nesta quinta pelo Estado em que elogiou Alckmin, Temer disse que prefere Meirelles no comando do Ministério da Fazenda até o fim do governo e avaliou que Maia "não tem nada a perder".

Maia busca se firmar como líder do Centrão, grupo do qual fazem parte partidos grandes e médios, entre eles PP, PR, PSD, PRB e PTB, e que está sem liderança desde a prisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O objetivo é afastar essas legendas de Alckmin.