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Porto Alegre, sexta-feira, 23 de Junho de 2017

  • 20/04/2017
  • 16:59
  • Atualização: 17:13

Traficantes forçam moradores a abandonar apartamentos na Restinga

Segundo a BM, situação do Residencial São Guilherme ocorre em outros dois conjuntos

Moradores abandonaram apartamentos devido as ameaças | Foto: Marília Rocha / Especial / CP

Moradores abandonaram apartamentos devido as ameaças | Foto: Marília Rocha / Especial / CP

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  • Henrique Massaro

Inaugurado há apenas dois meses, o Residencial São Guilherme, localizado na Restinga, no Extremo-Sul de Porto Alegre, já é foco de problemas relacionados a violência naquela região. Moradores do local, entregue através do programa Minha Casa Minha Vida, contam que foram expulsos de seus apartamentos por grupos de traficantes ligados à facção criminosa Bala na Cara. As vítimas procuraram o Correio do Povo e, por medo de represálias dos criminosos, pediram o anonimato.

Os moradores que perderam seus imóveis explicam que os traficantes simplesmente determinam que saiam de suas residências e se apoderam dos imóveis, possivelmente para utilizá-los como ponto de tráfico ou depósito de drogas e armas. A situação é novidade no São Guilherme, mas já é recorrente na região. Outros dois condomínios do Minha Casa Minha Vida na Restinga, os residenciais Camila e Ana Paula, já foram alvos da mesma ação criminosa.

Segundo o comandante do 21º Batalhão de Polícia Militar (BPM), coronel Márcio Galdino, responsável pela região da Restinga, há uma série de preocupações envolvendo não somente o São Guilherme, mas também com os outros dois residenciais, localizados na estrada que liga a Restinga à Lomba do Pinheiro. De acordo com ele, algumas ações corriqueiras já foram feitas naquela localidade.

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A maior operação, contou o coronel, ocorreu há cerca de duas semanas, através de parceria da Polícia Civil com a Força Nacional, além da Guarda Municipal e da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). Mais de 100 policiais participaram, mas apesar de o trabalho ter contemplado toda a região, não foi possível atingir precisamente o problema dos condomínios. Ainda segundo Galdino, no entanto, o 21º BPM tem trabalhado constantemente nesta questão em parceria com a 16ª Delegacia de Polícia (DP).

A delegada da 16ª DP, Shana Hartz, diz que as autoridades estão cientes do que está ocorrendo no São Guilherme e nos outros condomínios da Restinga. Segundo ela, a Polícia Civil, além de promover ações com a Brigada Militar, tem monitorado regularmente a região. A delegada acredita que a melhor forma de se resolver o problema seja através de um trabalho que envolva não só as forças policiais, mas todas as partes interessadas, como Departamento Municipal de Habitação (Demhab), Ministério das Cidades e Caixa Econômica Federal.

O diretor de investigações do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), delegado Mário Souza, também disse ter conhecimento da situação e que existem investigações em andamento. Segundo ele, o importante é que estes casos sejam materializados, ou seja, que a população denuncie, mesmo que de forma anônima. O delegado ainda lembrou de uma grande operação realizada na Restinga em 2015, na qual foram presos dezenas de suspeitos de envolvimento com o tráfico nos condomínios Camila e Ana Paula, além de outros locais na região. De acordo com o diretor do Denarc, à época, os homicídios chegaram a cair drasticamente, mas hoje os números já voltaram a crescer.

Por meio de nota, o Demhab salientou que os problemas de segurança no loteamento estão entre as preocupações da prefeitura. “O assunto está sendo tratado junto às autoridades competentes, para as quais solicitamos providências”, diz a nota. O Ministério das Cidades é o responsável pelos recursos do programa Minha Casa Minha Vida. Já a Caixa Econômica Federal informou que, em situações que envolvem casos de segurança pública, encaminha denúncias à Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp), conforme estabelece a Portaria Interministerial 647/2014, com objetivo de integrar ações preventivas e corretivas de condutas ilícitas em programas habitacionais da União. O Ministério Público Federal (MPF), por sua vez, disse que não há posicionamento, pois não há inquérito sobre o caso. Isso acontece, pois ninguém fez uma denúncia sobre o ocorrido junto ao MPF.