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  • 17/03/2017
  • 14:00
  • Atualização: 16:13

Homicídio doloso cresceu 62% em 10 anos no RS

Estado registrou 19.694 assassinatos na última década

Entre 2007 e 2016, homicídio doloso cresceu 62% no RS | Foto: Alina Souza

Entre 2007 e 2016, homicídio doloso cresceu 62% no RS | Foto: Alina Souza

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  • Correio do Povo

Por Mauren Xavier, Jessica Hübler e Rodrigo Celente

Em uma década, o Rio Grande do Sul registrou 19.694 homicídios dolosos, que é quando existe a intenção de matar. Segundo levantamento do Correio do Povo, com base nos dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP), entre 2007 e 2016 houve um aumento de mais de 62% nas ocorrências deste crime. Para se ter uma dimensão do que isto significa, é maior do que toda a população da cidade de São Francisco de Assis, localizada na região da Campanha, ou ainda superior a população de 384 municípios, de acordo com a Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul (Famurs).

Confira no mapa do RS o número de homicídios em cada cidade do Estado

Além disso, o homicídio doloso é uma das principais referências quando se avalia o nível de criminalidade, porque, diferente de outros casos, o alvo não é um patrimônio, como no latrocínio ou roubo, mas o objetivo é matar a outra pessoa, como explica o diretor do Departamento Estadual de Homicídios, Paulo Rogério Grillo. Conforme o sociólogo, especialista em Análise Social da Violência e da Segurança Pública e pós-doutor em Criminologia, Rodrigo de Azevedo, a sociedade não fica tão impactada com o número de homicídios, porque os atingidos, na maioria das vezes, são moradores de periferia. “O perfil das vítimas no Brasil é esse: morador de periferia, de baixa renda e que morre nas situações de confronto por disputa de território. A sociedade fica mais impactada quando é a classe média que é vítima de latrocínio”, diz. Mesmo assim, os índices consolidam a sensação da população em relação ao aumento da violência, especialmente nos últimos três anos, no Estado. Houve um salto nos homicídios neste período, passando de 1.926 casos em 2013, para 2.608, no ano passado. Em outras palavras, aumentou 35%. As constatações dos dados são percebidas no dia a dia.

Para Rodrigo de Azevedo, a criminalidade não é uma situação isolada do Rio Grande do Sul. “É um problema generalizado no Brasil, que registra cerca de 60 mil homicídios por ano. Ou seja, em números absolutos, o país tem as maiores taxas de violência no mundo.” Cita ainda que nos últimos 15 anos estados como Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo conseguiram reduzir consideravelmente os assassinatos, enquanto no Rio Grande do Sul o panorama tem piorado ano após ano. “Estamos dentro da média nacional de 30 homicídios por ano a cada 100 mil habitantes, que é altíssima segundo a Organização das Nações Unidas (ONU).”

Um exemplo é a posição da capital gaúcha no levantamento. Como já era esperado, Porto Alegre lidera o ranking de homicídios. Dos mais de 19 mil casos, 4.788 ocorreram dentro do território porto-alegrense, representando pouco mais de um quarto do total do Estado. Os números permitem afirmar a concentração da violência no grande centro tanto populacional como econômico do Estado. Porto Alegre tem a maior população do Rio Grande do Sul, com 1,4 milhão de habitantes, e o maior Produto Interno Bruto (PIB). Em 2007 foram registrados 446 casos, diminuindo em 2008 e 2009 e crescendo nos anos seguintes. No ano passado, o número chegou a 705. Em percentual, uma elevação de 58% na década.

Só nos últimos dois anos, houve crescimento 20%, pulando de 587 homicídios para 705. Em 2016 foram, basicamente, quase dois assassinatos por dia. Mesmo assim, há outra situação que justifica essa concentração da criminalidade e ela passa pelo tráfico de drogas. De acordo com o diretor de investigações do Departamento de Investigações do Narcotráfico (Denarc), Mario Souza, o tráfico é a mola propulsora dos crimes em geral. Segundo ele, as investigações apontam que há duas motivações para grande parte dos homicídios: a disputa pelos pontos de tráfico e a vingança entre as facções. Conforme ele, o plano estratégico de combate ao narcotráfico atua nas regiões onde ocorrem crimes violentos e, através da Operação Anjos da Lei, combatendo o tráfico de drogas em áreas escolares. “Infelizmente é na escola que vai nascer o novo usuário ou o novo traficante, então precisamos controlar este cenário.”