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  • 14/11/2016
  • 07:02
  • Atualização: 11:21

MST ocupa horto florestal da CEEE em Charqueadas

Mobilização tem objetivo de pressionar cumprimento de termo assinado pela empresa e pelo Incra

MST ocupa horto florestal da CEEE em Charqueadas | Foto: MST / Divulgação / CP

MST ocupa horto florestal da CEEE em Charqueadas | Foto: MST / Divulgação / CP

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  • Correio do Povo e Rádio Guaíba

Cerca de 500 pessoas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ocupam, desde a madrugada desta segunda-feira, o Horto Florestal Carola, da Companhia Estadual de Distribuição de Energia Elétrica (CEEE), em Charqueadas. Segundo o MST, a ocupação tem como objetivo pressionar pelo cumprimento de Termo de Compromisso assinado, em 2014, pela CEEE e pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).

O documento revela o interesse do Incra em comprar o horto, que tem 1080 hectares, para assentar famílias acampadas no Estado. Para isso, a CEEE precisaria retirar a vegetação e tocos de árvores do local, onde também haviam embalagens cheias e com resíduos de Arseniato de Cobre Cromatado. O produto é considerado tóxico e era utilizado na Usina de Preservação de Madeira, que deixou de funcionar no ano de 2013.

O termo, de caráter “irretratável e irrevogável”, registra ainda o interesse da CEEE em se desfazer da área, uma vez que, conforme alegado pela própria companhia, não pretende mais utilizá-la para a atividade-fim – florestamento de árvores para a fabricação de postes. Atualmente, apenas funcionários de uma empresa de segurança estão no local. À época, a empresa e o instituto tinham 60 dias para o cumprimento do compromisso, contudo, o prazo não foi respeitado.

“O governo do Estado não criou nenhum assentamento nos últimos anos, sendo que há áreas, como esta, com características para isso. Queremos que o acordo entre a CEEE e o Incra seja cumprido, e que a área seja destinada à reforma agrária para podermos produzir nossos alimentos”, diz o acampado Laerte Lima, que lembra que esta é a terceira vez que o Movimento ocupa o imóvel desde 2014.

A maioria dos sem terra que participa da ocupação é oriunda de acampamentos da região Metropolitana. Famílias que estavam acampadas até o final do mês de outubro em outra área da CEEE, em Candiota, também estão na mobilização. Segundo os trabalhadores rurais, a área da companhia na região da Campanha também estava encaminhada para a reforma agrária quando ocorreu o despejo – as famílias estavam acampadas há quase 2 anos no local.

Incra aguarda CEEE retirar eucaliptos

O superintendente substituto do Incra no Estado, Vitor Py Machado, confirmou que há o termo de compromisso, mas que aguarda que a CEEE realize a retirada de 50% dos eucaliptos para poder realizar a vistoria do terreno e assim dar continuidade às negociações. Ele informou que até o momento não houve contato com integrantes do MST.


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