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  • 16/12/2017
  • 09:32
  • Atualização: 09:39

Brasil se mantém longe da influenza Aviária

País redobrou esforços para usufruir das vantagens da sanidade em relação ao mercado internacional

País redobrou esforços para usufruir das vantagens da sanidade em relação ao mercado internacional | Foto: Lucas Cardoso / Embrapa / Divulgação / CP

País redobrou esforços para usufruir das vantagens da sanidade em relação ao mercado internacional | Foto: Lucas Cardoso / Embrapa / Divulgação / CP

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  • Danton Júnior

Em ano tumultuado para o segmento, a condição sanitária da avicultura brasileira foi considerada fundamental para que os prejuízos decorrentes da Operação Carne Fraca não fossem ainda maiores. Enquanto alguns dos seus principais concorrentes enfrentaram surtos de Influenza Aviária, o Brasil, maior exportador de carne de frango do mundo segue livre da doença, mas mantém o desafio de investir em sanidade para garantir o status diferenciado. Iniciativas para reforçar o controle estão em andamento tanto na esfera pública quanto na privada.

Houve focos da Influenza Aviária nos Estados Unidos e na China, mas os casos que mais preocuparam o Brasil, pela proximidade, foram os do Chile. Naquele país foi notificada a ocorrência do subtipo H7N6, de baixa patogenicidade, no final de 2016 e no início de 2017, em duas granjas de perus de corte na região de Valparaíso. A situação levou ao sacrifício sanitário de cerca de 385 mil perus. “Aquilo acendeu a luz amarela, quase vermelha”, lembra o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra. Além de redobrar cuidados no transporte aéreo entre os dois países, o governo federal adotou medidas como a publicação da Instrução Normativa 8, dando prazo até 3 de março de 2018 para todas as granjas obterem registro no serviço oficial.

Altamente contagiosa, a Influenza Aviária pode provocar danos tanto pelo seu potencial zoonótico (transmissível ao ser humano), quanto pelo seu impacto econômico, com mortalidade ou sacrifício de aves e restrições comerciais. Para o diretor-executivo da Associação Gaúcha da Avicultura (Asgav), José Eduardo dos Santos, o surto mundial de Influenza foi “o outro lado da moeda”, numa referência às perdas após a Operação Carne Fraca. “Isso acabou fazendo com que os países continuassem a depender da carne de frango do Brasil”, explica.

A recente abertura do mercado filipino, com 100 milhões de habitantes, foi comemorada por dirigentes do setor. A China, maior comprador da carne brasileira, autorizou em novembro a habilitação de mais 22 plantas, sendo 11 de carne bovina e 11 de aves. Além disso, as vendas do Brasil para outros países da Ásia e do Oriente Médio seguem aquecidas. No caso do Chile, que mantém embargo à carne de frango do Rio Grande do Sul e de outros estados, uma missão daquele país é aguardada para janeiro. A expectativa é que autorize a retomada das compras.

O Rio Grande do Sul contou com um “escudo natural” como grande aliado na busca pela biosseguridade, já que seus parques de aves migratórias que podem transmitir o vírus estão distantes das zonas de produção avícola e agroindustrial. Nas granjas, a visitação de pessoas que não estejam envolvidas na produção é desaconselhada. Durante a Copa do Mundo de 2014 e a Olimpíada de 2016 os cuidados foram redobrados para evitar o ingresso da enfermidade.

O conjunto de medidas, porém, não é sinônimo de invulnerabilidade. O diretor da Asgav cobra que a atenção dada ao setor corresponda ao seu impacto na balança comercial, tendo em vista que o Rio Grande do Sul é o terceiro maior exportador de frango do Brasil. A fragilidade econômica dos governos estadual e federal preocupa porque pode comprometer os investimentos, especialmente na área de fiscalização. “Temos que manter o alerta total. Há acordos bilaterais que permitem tanto a exportação quanto a importação de outros tipos de alimentos que vêm de países que já tiveram ocorrência de Influenza”, justifica Santos.

Embora a Influenza Aviária continue sendo uma doença exótica (nunca detectada) no Brasil, a vigilância segue. O Ministério da Agricultura conta com um plano de contingência tanto dela quanto da Doença de Newcastle (DNC). “Se a enfermidade ingressar no país, os esforços devem seguir até a erradicação, por meio do sacrifício sanitário da totalidade das aves do estabelecimento avícola, métodos de depopulação, desinfecção e limpeza das instalações e vigilância epidemiológica no entorno, com pessoal devidamente capacitado na zona de foco”, observa a veterinária Tais Oltramari Barnasque, responsável pelo Programa Nacional de Sanidade Avícola na Superintendência do Ministério da Agricultura no Rio Grande do Sul e coordenadora do Comitê de Sanidade Avícola do Estado.

Altamente contagiosa

A Influenza Aviária é uma doença exótica no Brasil. Sua importância se relaciona com o potencial zoonótico e impacto econômico que ocasiona, seja por perdas produtivas na cadeia avícola, mortalidade de aves, medidas de sacrifício para sua contenção ou restrições comerciais. A enfermidade é altamente contagiosa e tem como principais hóspedes aves domésticas, como galinhas e perus, bem como aves silvestres. As aves aquáticas e as costeiras parecem ser os reservatórios naturais dos vírus de Influenza Aviária tipo A e são portadoras de todos os subtipos conhecidos.