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  • 16/12/2017
  • 09:43
  • Atualização: 09:50

Registro de estabelecimentos faz parte de frentes de vigilância da Influenza Aviária

Medida estabeleceu prazo até 3 de março de 2018 para o cadastramento das granjas

Medida estabeleceu prazo até 3 de março de 2018 para o cadastramento das granjas | Foto: USP Imagens / CP

Medida estabeleceu prazo até 3 de março de 2018 para o cadastramento das granjas | Foto: USP Imagens / CP

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  • Danton Júnior

O registro de estabelecimentos avícolas no serviço veterinário do Rio Grande do Sul, em andamento, é uma das medidas adotadas como resposta ao surto recente de Influenza Aviária em alguns países estrangeiros. A medida está prevista na Instrução Normativa nº 8, do Ministério da Agricultura, e estabelece prazo até 3 de março de 2018 para o cadastramento das granjas. O texto prevê ainda a exigência de colocação de telas em galpões de aves poedeiras, e não apenas nas de corte, como já era previsto. “O setor tem se empenhado ao máximo porque sabe da importância de mantermos o país livre de enfermidades”, afirma o diretor-executivo da Asgav, José Eduardo dos Santos.

No Rio Grande do Sul, dois sítios de aves migratórias o Parque Nacional da Lagoa do Peixe e o Taim receberam, em fevereiro e em setembro de 2017, equipes de veterinários oficiais para ações de vigilância epidemiológica em propriedades de subsistência localizadas num raio de 10 quilômetros. No entorno da Lagoa do Peixe foram avaliadas 448 propriedades, com amostra de 518 aves. No Taim, foram 567 propriedades, com 710 amostras. “Aves aquáticas, silvestres e migratórias são as principais disseminadoras já que, ao migrarem, podem excretar grande quantidade de vírus e contaminar os novos ambientes”, explica a veterinária Tais Oltramari Barnasque, do Mapa/RS.

Os dois parques contam com situações distintas no que se refere à população de aves. A região da Lagoa do Peixe, que abrange os municípios de Mostardas, Tavares e São José do Norte, é frequentada principalmente por aves de pequeno porte oriundas da América do Norte, em especial do Canadá, que chegam fugindo do inverno no Hemisfério Norte, em meados de setembro, e retornam ao local de origem a partir de outubro. Na caso do Taim, a população de aves migratórias é composta principalmente por patos e marrecos vindos da Patagônia. Segundo o veterinário Flávio Chassot Loureiro, do Programa Estadual de Sanidade Avícola, o produtor deve comunicar qualquer ocorrência de mortandade ao responsável técnico pela granja, para que as causas sejam examinadas.

No caso das aves livres, em sistemas de produção caipira, por exemplo, Loureiro afirma que o risco é maior. No entanto, as próprias instruções normativas em vigor estabelecem parâmetros que visam garantir a biosseguridade. A alimentação dos animais, por exemplo, deve ocorrer sempre no galpão e nunca no piquete, que não deve contar com a presença de árvores frutíferas, o que poderia atrair aves ao local.

Importadores demonstraram confiança no Brasil

A confiança dos países importadores da carne de aves brasileiras ficou demonstrada após a Operação Carne Fraca, ocasião em que 74 países suspenderam os embarques temporariamente. Hoje, apenas três mercados pequenos Santa Lúcia, Trinidad & Tobago e Zimbábue permanecem fechados à entrada do produto. Na avaliação de Francisco Turra, presidente da ABPA, a condição sanitária foi um fator determinante para que os prejuízos decorrentes da operação deflagrada pela Polícia Federal em março não fossem maiores. “Muitos mercados que poderiam até ter se mantido afastados terminaram não tendo essa opção porque realmente o Brasil é diferenciado”, observa.

No caso da África, por exemplo, a importação de carne brasileira aumentou 50% neste ano. O continente registrou, em 2017, diversos focos do vírus em diferentes países. Hoje o Brasil conta com 160 mercados abertos à carne de frango, dos quais 140 realizam negócios de forma efetiva. Para 2018, a expectativa da ABPA é de que as exportações cresçam até 3% em volume, desempenho que poderá ser influenciado pela habilitação de novas plantas pela China, pela recuperação dos níveis de embarques para a União Europeia e Oriente Médio, e pela abertura de mercados como Taiwan, El Salvador e República Dominicana.